
Esta pesquisa, de abordagem qualitativa, caracteriza-se como descritiva e exploratória, teve como objetivo investigar as representações sociais dos enfermeiros idosos sobre a profissão de enfermagem, com foco nos significados atribuídos ao trabalho e nos desafios enfrentados ao longo de sua trajetória profissional. Para a coleta de dados, utilizou-se um questionário contendo uma parte com dados sociodemográficos, analisados pelo software IBM SPSS 25.0, e outra com três perguntas de associação livre de palavras, cujas respostas foram processadas pelo software IRAMUTEQ e examinadas por meio das técnicas de Classificação Hierárquica Descendente, Análise de Similitude, Plano Fatorial e Nuvem de Palavras. Os resultados evidenciaram que os enfermeiros idosos associam a profissão a valores como dedicação, amor e compromisso, reforçando a concepção do cuidar como missão e vocação. No entanto, aspectos como desvalorização profissional, sobrecarga de trabalho e remuneração inadequada emergiram como fatores que impactam a satisfação e o bem-estar desses profissionais, revelando uma tensão entre a idealização do cuidado e as dificuldades impostas pelo contexto laboral. Apesar das adversidades, observou-se uma resiliência significativa entre os enfermeiros idosos, que permanecem comprometidos com a qualidade da assistência prestada. Conclui-se que a valorização da enfermagem passa pela necessidade de políticas públicas que assegurem melhores condições de trabalho e reconhecimento profissional, a fim de garantir não apenas a satisfação dos trabalhadores, mas também a excelência na prestação do cuidado. Estudos futuros são recomendados, especialmente à luz da Teoria da Identidade Social, para aprofundar a compreensão dos elementos identitários e representacionais da categoria.
A presente pesquisa objetiva compreender a existência e as práticas da gestão do conhecimento (GC) no âmbito das Organizações Públicas de Turismo (OPTs), segundo a visão de especialistas que atuam na gestão pública do setor do turismo. Elegeu-se enquanto sujeitos da pesquisa, profissionais que atuavam nas três principais OPTs do Rio Grande do Norte: Secretaria de Estado do Turismo (SETUR RN), Secretaria de Turismo do Município de Natal (SETUR Natal) e a Empresa Potiguar de Promoção Turística (EMPROTUR). A escolha dos entrevistados levou em consideração o fato deles terem atuado em cargos de gestão. No total, foram escolhidos 17 (dezessete) especialistas a partir de uma amostra não probabilística intencional que fez uso da técnica bola de neve como critério de seleção dos respondentes. Os dados foram tratados e analisados a partir da técnica de análise de conteúdo. Para tanto, utilizou-se do software de análise qualitativa NVivo com o intuito de realizar a contagem e a criação de nuvem de palavras. Dentre os principais resultados obtidos destacam-se: a GC não é uma prática ainda difundida e sistematizada nas OPTs pesquisadas, tendo sido observada algumas ações isoladas; a obtenção do conhecimento acontece de maneira aleatória, principalmente, mediante solicitação às entidades parceiras que representam o trade turístico; e o compartilhamento das informações acontece, principalmente, a partir de relações de parcerias entre os diversos atores do setor durante as reuniões dos conselhos de turismo locais. Conclui-se, portanto, que a GC é parte da rotina das OPTs, porém de maneira não institucionalizada.
Esta pesquisa tem como objetivo analisar como a legislação brasileira estabelece a ergonomia e em que medida ela se relaciona com os princípios do Estado de Bem-Estar Social e do neoliberalismo. Para este fim, foi utilizada a metodologia qualitativa a partir de análise documental no qual foram selecionadas 06 legislações/normativas dispostas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e Normas Técnicas que tratam do bem-estar no trabalho e da ergonomia especificamente. Como resultados, observou-se que a ergonomia, ao longo da história do trabalho no Brasil, foi instrumento de manutenção e reprodução da classe trabalhadora, bem como instrumento de cooptação do proletariado. Além disso, com o avanço do neoliberalismo, as políticas de ergonomia se tornaram cada vez mais residuais diante do avanço da flexibilização do trabalho. A pesquisa ressaltou ainda a importância da análise ergonômica em interface com as ciências sociais, considerando como a conjuntura político-social influencia nas práticas dentro do ambiente de trabalho.
Mesmo diante de uma crescente de estudos e pesquisas sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o tema apresenta-se envolto em muitas lacunas, dúvidas e mitos. O objetivo desse artigo é promover breves reflexões sobre alguns aspectos do universo autista, como: etiologia, mitos, avanços, inclusão para além da escola, o capacitismo que existe, mesmo que de forma velada - especialmente no mercado de trabalho, desafios da maternidade atípica, dentre outros aspectos. Como metodologia para a produção dessa pesquisa, buscou-se dissertações, artigos, capítulos de livros, legislações e resumo expandido, todos em língua portuguesa, para uma investigação dos pontos elencados. Os achados apontam para a necessidade de estudo contínuo sobre a temática e para a importância da divulgação de informações para todos os segmentos da sociedade, pois, muitas vezes, as discussões permanecem nos ambientes acadêmicos ou de saúde. Pontua-se também que é importante promover o acolhimento desses sujeitos em todos os espaços, mas tendo o cuidado para não tornar o autismo um produto e vulnerabilizar ainda mais o autista e/ou sua família.
Este estudo explora as relações entre a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) e os movimentos sociais, com foco nas interações entre o IFB - Campus Planaltina e o Assentamento Pequeno Willian, especialmente no contexto das culturas escolares. O objetivo principal é fornecer uma síntese dessa relação a partir das percepções dos sujeitos de ambos os contextos sociais, por meio de uma análise comparativa dos documentos institucionais do IFB, incluindo o PDI em nível geral, e dos documentos locais do Campus Planaltina, como os PPCs e TCCs do Curso de Tecnologia em Agroecologia. Além disso, busca-se sistematizar teorias sobre EPT, movimentos sociais e História Oral, e desenvolver o site Banco de História Oral Digital como repositório da memória do Campus Planaltina do IFB e do Assentamento Pequeno Willian. A pesquisa posiciona-se no campo da História da Educação, utilizando os postulados da História Cultural, analisando de forma dialógica as sete entrevistas coletadas e demais documentos mobilizados para a construção da presente narrativa historiográfica. Para o tratamento metodológico dos documentos orais e escritos foram utilizadas a História Oral e a análise documental histórica, respectivamente. Os resultados revelam que a relação entre EPT e movimentos sociais é complexa, com relatos sobre transformações institucionais e tensões com o assentamento, destacando o choque cultural na transição da escola agrícola para o IFB e as dificuldades de adaptação. Também surgem perspectivas de aproximação e colaboração entre o IFB e o Assentamento Pequeno Willian.