
A Educação Popular em Saúde (EPS) apresenta princípios que promovem a aproximação entre as pessoas, tornando os espaços educativos mais democráticos. Isso possibilita um espaço de partilha não hierarquizado, valorizando a contribuição de todos os presentes. No contexto do fortalecimento e aprimoramento das práticas educativas baseadas na Política Nacional de Educação Popular em Saúde (Pneps), os programas de Residência em Saúde revelam-se extremamente relevantes. O presente estudo trata da construção de materiais educativos e sua utilização em práticas de EPS por profissionais das equipes de Saúde da Família (eSF) e da Equipe Multiprofissional na Atenção Primária (eMulti), bem como por uma residente do Programa de Residência em Saúde Animal Integrada à Saúde Pública, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Como resultados, destacam-se a criação de fôlderes e cartazes acerca de temas como esporotricose, saúde da mulher, funcionalidade da eMulti e nutrição infantil. As ações de intervenção capacitaram profissionais e alcançaram usuários em determinados espaços, promovendo a integração entre equipe e comunidade. Conclui-se que a elaboração de tecnologias educativas facilita o matriciamento de equipes e a disseminação de informações qualificadas no território, consolidando-se como ferramenta essencial para a promoção da saúde e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Este relato de experiência descreve uma atividade desenvolvida na disciplina “Fundamentos da Educação do Campo e o Projeto para a Educação Popular no Brasil”, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Catalão (Ufcat). A vivência ocorreu em aula de campo na cozinha solidária “Sabores do Campo”, do Movimento Camponês Popular (MCP), em Catalão/GO. O objetivo foi promover o intercâmbio entre saberes acadêmicos e populares por meio da produção coletiva de sabão artesanal com óleo reutilizado. Assim, a pesquisa, qualitativa e de natureza aplicada, fundamenta-se na pedagogia freireana e na educação popular. Como método, utilizou-se observação participante e diário de campo, com análise de conteúdo orientada pelas categorias emergentes da prática. Nesse sentido, os resultados indicam que a experiência favoreceu a conscientização ambiental e o fortalecimento comunitário, evidenciando o potencial pedagógico de saberes enraizados no cotidiano das mulheres camponesas. O relato reafirma a importância do diálogo e da horizontalidade como instrumentos de transformação social, destacando o papel das mulheres como guardiãs de conhecimentos tradicionais. Portanto, conclui-se que a articulação entre universidade e movimentos sociais aponta caminhos concretos para a educação voltada à sustentabilidade e à justiça social.
A escola, enquanto espaço de formação integral, deve promover experiências educativas que favoreçam a construção de saberes, competências e valores voltados à criação de sociedades mais justas, equilibradas e sustentáveis. Ao desenvolver projetos científicos que articulam vivências cotidianas e problemáticas observadas nas comunidades, os estudantes compreendem seu papel como agentes de transformação social, refletindo criticamente sobre sua atuação e buscando alternativas para os desafios identificados. Nesse contexto, o presente trabalho objetiva analisar de que modo o desenvolvimento de projetos científicos nas escolas, apresentados na Feira de Ciências do Semiárido Potiguar, tem contribuído para o debate em torno das questões socioambientais, especialmente aquelas relacionadas à energia. A análise foi realizada a partir de projetos elaborados por estudantes da região e de entrevistas com cinco docentes envolvidos nas iniciativas. Os resultados indicam que a participação na feira favoreceu a formação de jovens com posturas críticas, reflexivas e engajadas nas relações entre sociedade e meio ambiente.
Este artigo é um recorte de pesquisa de Mestrado (em curso) do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). O texto objetivou identificar as funcionalidades e potencialidades analítico-discursivas da História em Quadrinhos (HQ) Lei Maria da Penha em miúdos, escrita por Madu Macedo, em 2021, como recurso didático no ensino de Língua Portuguesa, capaz de reconhecer o desenvolvimento de práticas e multiletramentos em uma perspectiva decolonial. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que se apoia na Análise de Discurso (AD), especificamente nos processos de Formação Ideológica (FI) e Formação Discursiva (FD), para validar a referida HQ como recurso de construção crítica de sentidos pelo ensino. Os resultados sugerem que, embora informativa, a HQ estrutura-se por FD que universalizam a categoria “mulher” e apagam marcadores históricos das experiências femininas. Em decorrência disso, pensa-se em propostas interventivas que estabeleçam problematizações, na sala de aula, sobre como o machismo e a cultura do controle perpetuam-se nos ciclos de violência. Com base nesse processo formativo, torna-se perceptível que o deslocamento de mulheres negras, pobres, transexuais e indígenas atende à pedagogização acrítica para o reconhecimento de um instrumento homogêneo de proteção: a lei.
A luta dos agricultores familiares por uma vida mais digna, para manter a história de seus ancestrais e promover o desenvolvimento rural sustentável em meio à crise climática, é crescentemente mais árdua. Logo, o objetivo deste trabalho foi apresentar os desafios e as práticas pedagógicas para a garantia da segurança alimentar e melhoria da qualidade de vida da agricultura familiar, além de discutir o papel da educação ambiental popular neste contexto. Trata-se de uma pesquisa descritiva e qualitativa, com análises baseadas em investigação narrativa e observação não participante. A partir dos relatos dos agricultores, identificaram-se os principais desafios enfrentados em meio à crise climática e propuseram-se práticas pedagógicas fundamentadas na educação popular. A educação ambiental popular, inspirada na pedagogia freireana, atua como instrumento para promover autonomia, resiliência socioecológica e desenvolvimento rural sustentável ao estimular uma abordagem dialógica, libertadora e centrada nas experiências de vida dos sujeitos. Dessa forma, contribui para a formação de criticidade diante da crise climática, para a redução de impactos ambientais e para o fortalecimento do pertencimento e da identidade, promovendo novas concepções de agricultura familiar mais sustentáveis e inclusivas.