
Este estudo teórico-reflexivo analisa a importância do currículo na formação docente, inicial e continuada, com ênfase na promoção da educação inclusiva para todos os estudantes, sejam ou não público da Educação Especial. O objetivo é refletir acerca da inserção do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) nos processos formativos, visando ao atendimento equitativo das diversas necessidades discentes. A pesquisa, de abordagem qualitativa e bibliográfica, fundamenta-se em bases de dados, leis, documentos oficiais e publicações de autores como Moraes (1996), Reis, Moura e Sobrinho (2017), Prais e Vitaliano (2021), entre outros. Conclui-se que a superação de currículos seletistas é urgente, exigindo práticas que promovam a equidade e o desenvolvimento integral. O DUA, assim, consolida-se como abordagem eficaz ao flexibilizar o ensino para todos os estudantes, sendo eles EPEE ou não.
Este artigo analisa pesquisas acadêmicas sobre gênero, sexualidade e Educação Infantil (2010–2020). O objetivo é investigar quando, onde e como teses e dissertações foram produzidas, bem como caracterizar a influência de discursos ultraconservadores sobre gênero e sexualidade nessas produções. Com base no Estado da Arte e do Conhecimento, o estudo mapeia dados da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações e do Catálogo da Capes. Os resultados apresentam dados quantitativos e qualitativos da produção, além de analisarem temáticas e tendências recentes. Aponta o conhecimento da área como forma de resistência a discursos que distorcem o conceito de gênero e impactam a educação das crianças.
O objetivo deste trabalho é tecer considerações a respeito da Base Nacional Comum Curricular à luz de uma teoria crítica de educação, tomando como ponto de análise o processo de elaboração desse documento e a concepção de educação que o fundamenta. A metodologia é um ensaio teórico que toma como base importantes referenciais que discutem a política educacional, a Pedagogia Histórico-Crítica, o currículo e as influências da ideologia neoliberal nas alianças e disputas que exercem forte pressão no campo da educação brasileira. O resultado foi que, ao analisarmos o processo de elaboração da Base e sua concepção pedagógica, percebemos seu tensionamento com a mercantilização da educação, sustentando-se nos princípios neoliberais que visam à formação de sujeitos dotados de competências básicas que os ajustem às demandas da sociedade capitalista, contrariando os princípios de uma educação histórico-crítica.
O artigo apresenta os resultados de uma pesquisa a respeito do componente curricular Projeto de Vida, no âmbito do Ensino Médio. Busca-se dimensionar como os livros didáticos desse componente curricular mobilizam a formação de sujeitos neoliberais (Dardot; Laval, 2016). Metodologicamente, deriva de abordagem qualitativa com análise documental e bibliográfica. Como resultado, compreende-se que a mobilização dos sujeitos neoliberais por meio dos livros didáticos de Projeto de Vida ocorre pela legitimação de novos saberes, relações e subjetividades, pela redução do mundo do trabalho a espaço de competição, mediante conteúdos iconográficos e audiovisuais, pelo uso de novas metodologias e desenhos de aula que mobilizam nos estudantes um tipo de formação que atenda aos interesses de mercado.
A reforma do Ensino Médio ocasionou mudanças na Educação Básica no Brasil. Houve alterações na carga-horária e priorizações de disciplinas como Língua Portuguesa e Matemática. Dessa forma, o objetivo deste trabalho é analisar as pesquisas atuais sobre o Novo Ensino Médio (NEM). Para isso, baseamo-nos nos pressupostos teóricos de Bugs (2021) sobre o NEM. Além disso, apoiamo-nos nas considerações de Silva (2002, 1996), Varela (2013), e Tanner e Tanner (1980) sobre currículo, bem como os documentos oficiais sobre o NEM (Brasil, 2017). A metodologia contempla abordagem qualitativa, do tipo Estado da Arte, classificada como exploratória bibliográfica. Os dados foram coletados no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES. A análise de dados se deu por meio de critérios de inclusão e exclusão. Os resultados apontam a importância de uma reformulação do Novo Ensino Médio.
O uso que a noção de discurso tem suscitado na investigação das políticas de currículo, a partir de Michel Foucault e da teoria política do discurso, de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, é o problema do artigo. Do ponto de vista metodológico, realiza-se análise e comparação críticas das noções de discurso e suas relações com a política e o sujeito nas políticas curriculares, tendo por base um estudo de caráter bibliográfico que inclui textos desses teóricos e investigações em políticas educacionais e curriculares realizadas em programas de pós-graduação em educação neste milênio. Busca-se situar as contribuições de Foucault, Laclau e Mouffe nas singularidades de suas histórias e percursos intelectuais. Argumenta-se que esses autores, ainda que utilizem o mesmo significante (discurso), emprestam sentidos distintos ao termo e suscitam problemáticas diferenciadas para a pesquisa.
O objetivo do artigo foi identificar estudos que abordassem o direito à educação no contexto das reformas curriculares do Ensino Médio. Foi utilizado o método de revisão integrativa a partir da questão norteadora: o que a literatura apresenta sobre as reformas curriculares do Ensino Médio e a contribuição para a garantia do direito à educação e à formação humana integral da juventude nas bases de dados no portal de Periódicos da CAPES/MEC, no Portal Scielo Brasil e Scielo Educ@, no período de 2018 a 2023? Entre os referenciais teóricos adotados estão Cury (2008) e Libâneo (2012). A pesquisa, feita com seis artigos, concluiu que as reformas curriculares do Ensino Médio não garantem o direito à educação e apontou para a necessidade de acompanhar os debates atuais sobre o Ensino Médio e para a escuta de professores e estudantes sobre a materialização das reformas curriculares nas escolas.
Este estudo analisa o programa educacional de Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro nos anos 1980, buscando entender suas implicações e legado para a política educacional. O objetivo é refletir sobre o papel da escola de educação integral, conforme visão de Ribeiro, dentro do Programa Especial de Educação e seus Centros Integrados de Educação Pública. Objetivos específicos incluem conhecer a trajetória de Darcy Ribeiro, sua defesa da educação integral e seu potencial para transformar a tradição elitista da escola pública brasileira. O estudo se baseia em produções acadêmicas e autores como Bomeny, Ribeiro e Brandão, utilizando a historicidade do período para compreender a conjuntura política e social. A reflexão busca contribuir para o debate sobre educação integral e a formulação de políticas educacionais participativas, que promovam o bem-estar social, a equidade e o desenvolvimento.
O presente artigo é uma exposição de como organizações coletivas do Estado do Paraná atuaram na construção das diretrizes para os cursos de Pedagogia. Para tanto, há um histórico dos embates em torno dessas diretrizes no âmbito nacional. Os movimentos, as expressões materiais da legislação atinente ao tema fazem parte dessa construção. Metodologicamente, são utilizadas fontes primárias, como documentos de organizações, publicações informativas, documentos normativos oficiais e produções acadêmicas sobre a temática. A ênfase central que se torna resultado é que a organização coletiva e suas análises críticas podem interferir na realidade, no caso, a construção de normativas e consequente atuação dos profissionais do curso de Pedagogia, transformando-a, e, ainda, que essas organizações coletivas são fundamentais para a construções de políticas públicas de qualidade.
O presente artigo tem como objetivo analisar os textos do Projeto Pedagógico-Curricular dos cursos de licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Sergipe, Campus Professor Alberto Carvalho, e da Universidade Estadual da Bahia, Campus Teixeira de Freitas, especificamente em relação às abordagens de saúde na disciplina de Educação em Saúde. Utilizando uma metodologia qualitativa exploratória e analítica, foi realizada uma Análise Textual Discursiva, a partir de decomposição, categorização e elaboração do metatexto. Os resultados apontam semelhanças, mas evidenciam contrastes relevantes nas abordagens de saúde adotadas pelas duas instituições. A UFS apresenta uma abordagem menos explícita, enquanto a UNEB destaca bem as abordagens biomédica e socioecológica. A análise aponta para a necessidade de revisão curricular voltada à formação crítica e plural de professores.
No contexto do ensino de Filosofia, este estudo questiona: como as tecnologias digitais têm sido utilizadas para monitorar e restringir a autonomia e a prática docentes na rede estadual paulista? Às luzes da Pedagogia Crítica, seu objetivo é identificar os fundamentos das práticas de vigilância e repressão na rede estadual paulista. Constitui-se como uma análise documental, cujo material analisado corresponde à transcrição da fala do Secretário da Educação do Estado de São Paulo, proferida em 29 de janeiro de 2025. Os dados qualitativos obtidos foram organizados sob três categorias analíticas: (i) autonomia; (ii) repressão; e (iii) imposição. Os resultados evidenciam que a suposta autonomia atribuída aos professores está condicionada a metas externas, estabelecidas em um regime de controle, que se manifesta por meio de cobranças, incentivos financeiros e ameaças de punição.
O estudo investigou as propostas das reformas educacionais brasileiras com foco na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e BNC-Formação, explorando seus impactos no currículo e na formação docente. A análise tem suporte teórico a partir dos estudos de Ball e Bowe, Apple, Arroyo, Aguiar e Dourado, explorando a dinâmica das reformas educacionais em relação aos requisitos das políticas econômicas, muitas vezes desconsiderando a diversidade cultural e as necessidades específicas das escolas públicas. O estudo adota uma abordagem qualitativa exploratória, utilizando fontes bibliográficas e documentais para compreender o fenômeno dentro do contexto sociopolítico. Os dados revelam a subvalorização das experiências dos profissionais que atuam na escola e a BNCC como um documento uniforme, prescritivo e que reproduz desigualdades.
Este texto tem foco na formação de psicólogos, discutindo duas experiências de supervisão de estágio em psicologia clínica. São dois espaços e duas propostas clínicas diferentes, mas ambas seguem a Psicologia Histórico-cultural como fundamento teórico. Nossas supervisões de estágio acontecem em grupo, com encontros semanais que duram de duas a quatro horas. Cada reunião é iniciada com uma discussão teórica e, na sequência, os estagiários apresentam os casos, sem entrar em detalhes (o “ele falou” e “eu falei”) - o foco está no encontro, em como a conversa terapêutica reverbera nos envolvidos. Ali no encontro de supervisão, um espaço narrativo e ético-afetivo, contamos também sobre como nos sentimos ao ouvir a narrativa. Na supervisão, enxergamos o estagiário como alguém preso no emaranhado desse encontro e entendemos que nosso trabalho é auxiliar a nomear o afeto experienciado no percurso de se tornar psicólogo.
Objetiva-se analisar, na perspectiva da gestão da extensão universitária, o percurso de implementação da curricularização da extensão. Trata-se de um estudo descritivo-exploratório, realizado em uma Instituição de Ensino Superior pública, multicampi, no estado de Mato Grosso, Brasil, envolvendo gestores institucionais. O material foi submetido à análise temática, articulada à discussão das concepções da extensão universitária. Constatam-se a implementação de diretrizes extensionistas e integração da extensão nos currículos. Observa-se a existência de estratégias de monitoramento e avaliação; entretanto, ainda incipientes à análise dos impactos dos projetos. Identificam-se desafios, como a limitação na captação de financiamento, reduzida participação docente e insuficiente oferta de projetos. Conclui-se que a gestão demonstra compromisso com a curricularização da extensão; porém, persistem aspectos estruturais e operacionais a serem enfrentados.
A convergência para o digital reconfigura diferentes áreas e as dinâmicas sociais. Nesse contexto este estudo investiga o letramento digital na formação do docente, por meio da análise de publicações científicas, entre 2015-2023. A busca foi realizada no portal CAPES, resultando 288 textos a partir da combinação das palavras-chave “digital literacy”; “training”; “basic education teacher”, associado a filtros específicos. Foram selecionadas 32 publicações. A revisão sistemática da literatura seguiu a Declaração Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-analyses. Entre os principais achados, considerou-se que: o professor possui um conhecimento básico do letramento digital; o processo de formação para tecnologia é instrumental, o que não favorece a incorporação efetiva na sala de aula. Averiguou-se que a formação do professor deve ser contextualizada com a prática da sala de aula.
Neste artigo, explicitamos o que entendemos por didática e nos dedicamos mais detidamente a dois de seus procedimentos: o planejamento e a avaliação. Partimos de uma compreensão mais geral do que podemos entender por didática, planejamento e avaliação para, então, debatê-los no âmbito do ensino de teatro na educação básica. Consideramos relevante o enfrentamento do descaso costumeiro na área no que diz respeito ao planejamento e à avaliação em teatro, como meio de fortalecimento do pertencimento do teatro aos espaços escolares. Concluímos que a adequada formação didática de licenciadas e licenciados em teatro permite que percebam a importância do planejamento, sem se tornarem reféns dele, e da avaliação, sem utilizá-la como instrumento de classificação e controle, para a concretização dos objetivos do ensino e para a construção de conhecimentos no campo teatral.
O estudo investiga práticas racistas em uma escola pública paulista. Utilizando o diário de bordo, um pesquisador preto, afrodiaspórico e retinto, o outro pesquisador pardo implicado e o outro pesquisador preto retinto africano, dedicados aos estudos étnico-raciais a partir do Brasil, analisam o silenciamento e as formas de resistência étnico-racial associadas às masculinidades pretas e afrodiaspóricas no contexto educacional. Sua fundamentação teórica Frantz Fanon (2008), Bas’Ilele Malomalo (2021). Os marcos regulatórios: a Lei nº 10.639/03 e a BNCC, que abordam a inclusão da história e cultura afro-brasileira no currículo escolar. Concluindo, sinalizamos a urgência/emergência de transformações culturais e educacionais que valorizem saberes afrodiaspóricos e afro-indígenas que fortaleçam identidades pretas no ambiente escolar.
O estudo analisou o impacto da gamificação com o uso do Kahoot no engajamento dos estudantes. Foram também investigados os resultados da pesquisa em relação ao uso de metodologias ativas, especificamente os jogos pedagógicos e a gamificação. Também foram identificadas as principais vantagens da implementação da gamificação, no contexto educacional atual. Os dados foram coletados por meio de um questionário semiestruturado junto a dois professores participantes do Projeto de Recomposição da Aprendizagem realizado em Castilho, SP. Os resultados sugerem que a gamificação, especialmente por meio do Kahoot, tem um impacto positivo no engajamento dos estudantes, demonstrando a eficácia desta estratégia pedagógica no estímulo à interação, colaboração e motivação dos estudantes, resultando numa aprendizagem significativa.
Este trabalho tem por objetivo analisar as metodologias de integração curricular previstas nos projetos pedagógicos de cursos técnicos integrados em Desenvolvimentos de Sistemas da Rede Federal. Utilizou-se metodologia de caráter qualitativo e procedimento metodológico documental. A pesquisa está ancorada nas discussões sobre o Ensino Médio Integrado e embasada teoricamente em Kuenzer (2010), Frigotto (2012), Ciavatta (2012) e Ramos (2008, 2010, 2012, 2017). Foram analisados 21 PPCs (Projetos Pedagógicos de Curso) e percebeu-se a existência da previsão de metodologias para promoção da integração curricular em menos de 40% dos cursos que se encontram em funcionamento nas cinco regiões do país e menos de 30% dos cursos pesquisados têm previsão do Núcleo Politécnico ou Articulador em sua estrutura curricular, sendo este um importante tema a ser explorado em trabalhos futuros.
O artigo versa sobre a formação interdisciplinar do professor e as contribuições do Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), sistematizando cinquenta anos de investigação sobre a formação do professor‐pesquisador em perspectiva interdisciplinar, delineando aportes teórico-metodológicos forjados na ação. A autora, a partir do acompanhamento prolongado do cotidiano docente na educação básica e superior, sustenta que a teoria da interdisciplinaridade só se legitima no fazer, exigindo procedimentos que reconectem histórias interrompidas e restaurem autoria, estética e ética do trabalho docente. Quatro princípios orientam a metodologia — espera, humildade, respeito e desapego —, articulados a centros de referência e à incorporação das Histórias de Vida como via de pesquisa-formação (Pineau, 2002), de pesquisa-ação-formação (Barbier, 1966) e de trabalho com metáforas e formas simbólicas (como mandalas), que permitem ao pesquisador descobrir sua “metáfora interior” e sua “marca registrada”. O movimento analítico combina linearidade e circularidade, alternando olhares “de dentro para fora” e “de fora para dentro”, para apreender contradições, impasses (labirinto) e transgressões como motores de criação teórica situada (Fazenda, 1994, 2021, 2023). Ao formar professores pela via interdisciplinar, a pesquisa evidencia efeitos para além do estudo pontual: recomposição da autoestima profissional, contágio da cultura escolar e emergência de coletivos autorais. Conclui-se defendendo procedimentos como uma “escuta sensível” e um rigor epistemológico que acolha o amor como força de elaboração, integrando práxis e reflexão na construção de conhecimento educacional.