
O estudo apresentado é resultado de pesquisa exploratória, com abordagem qualitativa, do tipo bibliográfica e de natureza interpretativa de livros e artigos científicos que tratam do tema. São discutidos alguns dos principais aspectos que contribuíram para consolidar a Universidade Católica como centro de formação humanística que ultrapassa a simples ideia de universidade para qualificação profissional. Com base em seus princípios fundantes a Universidade Católica se consolidou como irradiadora da ideia de que a formação profissional deve se fazer junto com a formação ética, estética, política e antropológica. Por meio do diálogo com a tradição, a Universidade Católica preserva seus pilares sem que isso signifique atuar distante do tempo histórico atual. Para que suas diretrizes sejam constantemente interpretadas, a Universidade Católica preserva os aspectos que tornam obrigatória a formação humanística daqueles que objetivam a qualificação profissional. Desse modo, o estudo aponta para a necessidade de se preservarem determinados valores que fazem da Universidade um lugar cuja excelência deve ser reconhecida especialmente porque nela devem ser promovidos o diálogo, o respeito à diferença, o cuidado ético e a vivência plural e dinâmica que caracterizam o humano.
O objetivo da pesquisa foi analisar as alterações nos critérios de avaliação da produção científica dos docentes permanentes vinculados a programas de pós-graduação stricto sensu acadêmicos da área de Educação, estabelecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) para o quadriênio 2025-2028, e seus possíveis impactos na atuação dos professores-pesquisadores. Com esse intuito, foram delineados os seguintes objetivos específicos: 1) identificar as modificações nos critérios de avaliação da produção científica docente com base nas Fichas dos quadriênios 2021-2024 e 2025-2028, além do Documento de Área 2025-2028; e 2) refletir aceca dos impactos potenciais dessas alterações na produção científica dos professores-pesquisadores. A pesquisa, de natureza qualitativa, utilizou como procedimento metodológico a análise documental comparativa. Os resultados indicam que, embora haja esforço da CAPES em promover uma avaliação mais qualitativa, persiste a valorização de métricas quantitativas, como o fator de impacto das publicações, o que pode comprometer a integridade da pesquisa científica, ao estimular práticas como a formação de redes artificiais de citação mútua entre pesquisadores e a inserção excessiva de referências entre parceiros estratégicos. Conclui-se que o modelo atual reforça práticas voltadas à produtividade e estimula a competitividade acadêmica.
Este texto faz reflexões, em especial, com recortes que atravessam conceitos epistemológicos a respeito de uma educação conceitual que envolva, sobretudo, a literatura. Pensar a literatura não como um hábito. Pensar na literatura como hábito reduz a sua importância. Deve-se pensar a literatura, especialmente, como uma necessidade existencial. E, também, como aliada ao pensamento e construção progressiva de uma subjetividade voltada a um olhar mais apurado em relação à vida. Um olhar atento a sensibilidades tendo em vista uma estética apurada em que o belo, a beleza e o singular estejam alinhados numa mesma perspectiva qualitativa. Para isso foram selecionados cinco títulos de livros que inclusive a partir do próprio título sugerem reflexões conceituais e epistemológicas que poderão levar a uma prática. Cada título sugerido reflete o conteúdo da obra e pretende seduzir o leitor às leituras para uma compreensão mais abrangente de chaves metafóricas interpretativas como poderosas aliadas para análises mais amplas da contemporaneidade.
O propósito deste texto consiste em aproximar teoricamente uma Teoria de Jogo, a Praxiologia Motriz, com a Abordagem Construtivista na Educação Física. Tendo em vista que o jogo é o objeto de estudo central da Praxiologia Motriz e elemento essencial da Abordagem Construtivista, julgamos necessários apontamentos relativos às referidas temáticas, de modo que contribuam para o aperfeiçoamento do trabalho pedagógico de professores de Educação Física Escolar. Ancorando-se em obras clássicas das duas teorias que são objetos desta pesquisa, realizou-se a elaboração deste artigo visando ao apontamento de elementos entendidos como inéditos. Além dos referenciais teóricos clássicos, elaborou-se uma análise conceitual em outros manuscritos para identificar as primeiras aproximações. Embora o texto tenha sido produzido com o objetivo de estabelecer relações preliminares, foi possível inferir, a partir dos subsídios teóricos, uma correlação conceitual dos supostos epistemológicos. Significativamente subsidiadas pelo Construtivismo de Piaget, ambas teorias valorizam aspectos culturais e sociais, de modo a considerar o Jogo como uma microssociedade, com seus símbolos e suas regras durante a manifestação. Diante desse olhar compartilhado para a construção de conhecimento, a relação desenvolvida torna-se fulcral para a sustentação do trabalho pedagógico.
A escola pública como um espaço de formação humana contribui à constituição ética, sensível, crítica, intercultural e intelectual dos estudantes. O presente artigo objetiva responder à pergunta: “por que estudar inglês se eu moro no Brasil?”. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem crítica e reflexiva, que discute a tarefa da língua inglesa, particularmente do inglês como língua franca (ILF), na escola pública brasileira no contexto contemporâneo. A reflexão estrutura-se em três movimentos: o papel da escola na perspectiva de formação humana; o ensino de inglês na escola pública e, por fim, o ensino de inglês como língua franca e suas possibilidades de contribuir com a tarefa formativa intelectual, ética e socialmente relevante dos sujeitos em contextos globais. Assume-se o entendimento de que o ensino de inglês como língua franca se apresenta como um caminho potente para (re)significar práticas pedagógicas e concepções de língua, ao legitimar a diversidade linguística e cultural e questionar modelos hegemônicos.
O racismo estrutural constitui um fenômeno que perpassa diferentes esferas sociais-. No âmbito da adoção de crianças negras no Brasil, -ele não restringe à experiência individual dessas crianças, mas incide significativamente sobre o funcionamento das instituições e sobre as decisões que orientam o sistema de adoção. O presente estudo propõe uma reflexão acerca das manifestações do racismo nesse processo, destacando a recorrente preferência por crianças brancas e o imaginário social que marginaliza a negritude. Metodologicamente, este estudo adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica e pesquisa documental, sendo os dados interpretados por meio da análise de conteúdo categorial. Como resultados, nota-se a urgência de promover o debate e a implementação de ações afirmativas no âmbito das políticas públicas, de modo a assegurar a inclusão de crianças negras no sistema de adoção, corrigindo desigualdades raciais e ampliando a igualdade de oportunidades. A omissão diante dessa problemática contribui para a perpetuação de um ciclo de exclusão que afeta diretamente milhares de crianças brasileiras. Nesse sentido, as políticas de adoção precisam ser repensadas a partir de uma perspectiva racialmente sensível, capaz de reconhecer as barreiras enfrentadas por crianças negras e suas famílias.
Este manuscrito aborda a Agenda 2030, especificamente suas proposições para a educação escolar, e aspectos do documento Reimaginar nossos futuros juntos, da UNESCO, relativos ao trabalho educativo. O objetivo foi identificar, nos discursos de mudanças presentes nesses documentos, a cisão entre aparência e essência, que oculta a manutenção do status quo quanto às constantes reformas neoliberais iniciadas a partir da década de 1990, com o Consenso de Washington. Para tanto, recorreu-se à pesquisa documental e à análise crítica do discurso. Como referencial teórico-metodológico, articula-se o conceito de modo de vida imperial, crítica ao relativismo epistemológico e cultural e concepção de educação histórico-crítica. Constatou-se que tanto o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável direcionado para a educação quanto o Documento da UNESCO configuram-se como ópio do povo, ao proporem, de modo suntuoso, uma pedagogia da solidariedade e da cooperação que subordina a educação escolar à empregabilidade e seus princípios subjacentes. Em contrapartida, defende-se a necessidade da estratégia da resistência ativa no âmbito do trabalho educativo, como maneira de contrapor a falsa proposição de transformações estratégicas globais promulgadas por tais documentos, enfatizando o conhecimento objetivo (científico, filosófico e artístico) para a formação de uma concepção de mundo crítica.
A sustentabilidade consolidou-se como eixo estratégico nas políticas educacionais globais, assumindo centralidade em universidades e, progressivamente, em instituições de Educação Profissional e Tecnológica (EPT). Alinhado à Agenda 2030 e marcos da UNESCO, esse movimento enfatiza a integração de práticas sustentáveis ao ensino, gestão e currículo. Apesar dos avanços, a produção científica permanece concentrada no ensino superior universitário, sendo incipientes estudos sobre EPT, o que evidencia lacunas relevantes. Diante desse cenário, este artigo objetiva realizar análise bibliométrica da produção nacional e internacional sobre frameworks de sustentabilidade aplicados à EPT (2010–2025), na base Scopus, para identificar padrões, tendências e oportunidades de pesquisa. Trata-se de estudo quantitativo descritivo, baseado em técnicas bibliométricas como análise de frequência de termos, coocorrência de palavras-chave e redes de coautoria. Complementarmente, realizou-se revisão documental de referenciais como UNESCO TVET (2022–2029), ODS e legislações brasileiras. Os resultados indicam crescimento das publicações após 2015, associado à Agenda 2030. Predominam estudos sobre currículos e práticas pedagógicas, enquanto governança, infraestrutura e aplicações na EPT permanecem subexploradas. Conclui-se haver necessidade de frameworks aderentes à EPT, contribuindo para o avanço do campo e o fortalecimento de políticas institucionais sustentáveis.
O artigo defende a equidade de gênero como desafio a enfrentar diante das transformações globais na educação. O objetivo é analisar as aprendizagens e os sentidos atribuídos por 40 meninas adolescentes, estudantes de quatro escolas públicas de Minas Gerais, ao participarem de um projeto de inserção de meninas e mulheres nas ciências exatas. As referências teóricas estabelecem diálogos entre a Teoria da Relação com o Saber, estudos de gênero, raça e juventude. A metodologia, de natureza qualitativa, utilizou grupos focais em cada cidade e o instrumento Balanço de Saber proposto por Bernard Charlot. A análise permitiu categorizar as aprendizagens em: desenvolvimento pessoal, investigativas e equidade de gênero. Os resultados indicam a preponderância das aprendizagens de desenvolvimento pessoal. Entretanto, a frequência com que as aprendizagens aparecem são muito próximas estatisticamente, não há disparidade significativa, dado o tamanho da amostra. Essas aprendizagens consolidam o sentido de pertencimento ao projeto e compartilhamento com outras meninas. Ao assumirem uma postura pesquisadora, elas se confrontam com as desigualdades de gênero e raça, fortalecendo suas construções identitárias. Conclui-se pela urgência de posicionamentos contra a persistência dessas desigualdades e pelo combate a formas de barbárie na contemporaneidade.
This pilot case study examines how a short-term hybrid study abroad program was intentionally designed to address inequitable participation in global learning among teacher candidates at a Hispanic-Serving Institution. In response to documented underrepresentation of Hispanic students and education majors in study abroad, the six-week program integrated pre-departure coursework, a two-week in-country immersion, and structured post-experience reflection to scaffold intercultural development. Guided by established intercultural competence frameworks (Deardorff, 2006; Hanvey, 1982) the instructional design emphasized sequencing, structured reflection, and theory-aligned assessment. Six undergraduate and graduate students completed a pre- and post-program Intercultural Literacy and Global Learning Survey that included Likert-scale items and open-ended responses. Descriptive and thematic analyses indicated growth in students’ recognition of cultural assumptions, confidence in engaging with diverse educational practices, and readiness to incorporate global perspectives into future teaching. Qualitative findings further suggested shifts from surface-level interest in new instructional strategies to deeper reflection on teacher identity, child autonomy, and inclusive practice. As a pilot case study, the findings offer pedagogical insights and design principles for faculty seeking to expand equitable global learning opportunities in educator preparation.
O sistema de financiamento da educação básica no Brasil é baseado em recursos disponíveis, e não em recursos adequados. Este artigo tem como objetivo avaliar o gasto por aluno nas redes públicas municipais de ensino fundamental no estado de Goiás, comparando os valores observados entre as redes classificadas como bem-sucedidas e malsucedidas, com base na abordagem do financiamento adequado sob a perspectiva do distrito escolar bem-sucedido. A abordagem do distrito escolar bem-sucedido baseia-se na premissa de que as redes de ensino que atingem os padrões de desempenho estabelecidos pelo Estado estão investindo, no mínimo, um valor considerado suficiente para garantir uma educação de qualidade. A pesquisa utiliza dados de fontes públicas, incluindo variáveis relacionadas a gastos com educação, matrículas, desempenho da rede de ensino e taxas de evasão escolar. Os resultados indicam que, para aumentar o financiamento das redes de ensino fundamental malsucedidas, que têm gastos por aluno inferiores à média das redes bem-sucedidas, seria necessário um aporte adicional de aproximadamente R$ 1,137 bilhão, o que representa um aumento de 41% em relação aos gastos atuais. Essa constatação reforça a importância de se aumentar o investimento público em educação, destacando a necessidade de se rever o modelo atual à luz de recursos adequados.
Este estudo investiga a relação entre a educação e o neoliberalismo, focando especialmente na intersecção com o mundo do trabalho a partir das mudanças que ocorreram por meio das transformações no Ensino Médio, perpetradas pela MP 746/2016 e pela Lei 13.415/2017, reforçando o protagonismo individual, a competitividade e o empreendedorismo enquanto ideologia de mascaramento da precarização da realidade social. O objetivo geral é analisar como os conceitos de "trabalho" e "empregabilidade" são incorporados na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) como princípios educativos. Os objetivos específicos incluem contextualizar as relações entre educação, trabalho e empregabilidade e examinar suas influências na concepção de formação estabelecida na BNCC (Brasil, 2018). A metodologia adotada possui caráter qualitativo e se fundamenta em aspectos bibliográficos e exploratórios, utilizando documentos oficiais (MP 746/2016; Lei 13.415/2017; BNCC) para a análise do problema abordado e tendo por elementos para a fundamentação das análises as perspectivas críticas de intelectuais Zank e Malanchen (2020), que analisam como a BNCC articula currículo, formação docente e avaliações para moldar sujeitos e abrir espaço à iniciativa privada, por meio das categorias e conceitos desenvolvidos por pensadores como Dermeval Saviani (2011, 2020) e, principalmente, Karl Marx (2013). Conclui-se que a BNCC reflete uma mudança na educação brasileira, priorizando a preparação para o mercado de trabalho em detrimento de uma formação integral dos estudantes.
A pandemia de Covid-19 impôs profundas transformações nas práticas educativas. Os desafios se estenderam ao período pós-pandemia, exigindo novas estratégias para enfrentar lacunas cognitivas, emocionais e sociais. O objetivo deste estudo é identificar os recursos tecnológicos utilizados durante a pandemia e mapear as estratégias adotadas no retorno presencial, com foco na recuperação da aprendizagem e no enfrentamento das questões socioemocionais. Trata-se de uma pesquisa de abordagem mista, do tipo ex post facto, realizada com 269 professores. Utilizou-se um questionário, complementado por análise qualitativa de respostas abertas. Os resultados revelaram que os principais recursos utilizados durante o ensino remoto foram o WhatsApp, materiais impressos e videoconferência. A aprendizagem relacionada ao uso de tecnologias destacou-se como o maior ganho docente. Estratégias de recuperação da aprendizagem, como avaliações diagnósticas e aulas de reforço, foram mais presentes nos anos iniciais. Em relação aos aspectos emocionais, destacaram-se as rodas de conversa, a escuta ativa e a necessidade de acolhimento. A formação institucional foi apontada como deficiente, enquanto a troca entre colegas foi fundamental.
As recentes mudanças curriculares no Ensino Médio nos desafiam a dialogar com disciplinas distintas para construir estratégias comuns, de forma a aprimorar o ensino mais contextualizado e integrativo. Então provocados, produzimos esta escrita, com a pretensão de identificar conteúdos e objetivos descritos pelos professores que, em suas experiências, apresentam correspondência interdisciplinar, contexto a partir do qual faremos proposições de ensino que atendam às indicações no Novo Currículo de Pernambuco para o Ensino Médio. Neste sentido, aplicamos a pesquisa narrativa, metodologia que nos permitiu analisar a percepção de onze professores de Biologia e nove de Educação Física da Educação Básica das possibilidades de temáticas e objetivos comuns para um trabalho interdisciplinar que contemple perspectivas de aprendizagem no Currículo de Pernambuco. Como resultado, constatamos a indicação de temáticas diversas e potencialmente propensas ao ensino interdisciplinar entre Biologia e Educação Física, que oportunizam maior formação integral dos estudantes em suas necessidades pessoais e sociais, a exemplo da nutrição associada às práticas esportivas, além de temáticas sobre primeiros socorros e problemas de saúde (hipertensão e ansiedade). Mesmo com os apontamentos, constatamos ser necessária maior oferta de disciplinas e/ ou de situações de aprendizagem que promovam a interdisciplinaridade na formação inicial dos professores, de forma que os exercite a replicar suas experiências nessa perspectiva – interdisciplinar – em sua atuação docente na Educação Básica.
O brincar está na natureza do indivíduo desde sua existência no mundo e a partir das diferentes fases da infância adquire diferentes sentidos e significados na vida da criança. Por meio do brincar, as crianças criam narrativas e vivem intensamente as realidades por elas imaginadas. Nesse contexto, este estudo tem como objetivo investigar o significado do brincar na perspectiva da criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Ensino Fundamental Anos Iniciais. O público-alvo do estudo é composto por duas crianças de nove anos com TEA, estudantes de uma turma de 3° ano do Ensino Fundamental. A pesquisa caracteriza-se como um estudo qualitativo descritivo, que associa observação, entrevista e registro em diário de campo. A partir dos diálogos e falas dos alunos, motivamo-nos a compreender e refletir a perspectiva dessas crianças sobre o brincar, a importância da brincadeira para elas, como brincam, seus interesses e como se expressam. Assim, percebemos nas vozes das crianças que o brincar e a brincadeira trazem aspectos positivos em suas vidas, evidenciando a felicidade em brincar seja na praia, na praça, no parque ou na escola. Os diálogos com os entrevistados deixam claro que brincar é diversão, interação, descoberta, conhecimento, parceria e criação, é expressão daquilo que a criança sente e o que ela é. E, independentemente do lugar ou do brinquedo, para a criança, tudo se transforma em brincadeira.
A formação docente no cenário brasileiro tem sido objeto de transformações nas últimas décadas, fomentadas por políticas públicas voltadas ao estreitamento do diálogo entre as Instituições de Ensino Superior (IES) e a Educação Básica. Sob essa perspectiva, o presente estudo propõe uma análise sistemática da produção acadêmica referente ao Programa de Residência Pedagógica (PRP), com o intuito de mapear o conhecimento produzido no âmbito dos cursos de Pedagogia no recorte temporal de 2018 a 2023. A questão norteadora buscou responder à presente indagação: como o PRP vem sendo compreendido academicamente na área da Educação, especialmente nos cursos de Pedagogia por meio das teses e dissertações brasileiras? Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de cunho qualitativo do tipo Estado do Conhecimento. Caracteriza-se, portanto, como um estudo bibliográfico, com os filtros (dissertações e teses) no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES e na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) no período de 2018–2023. A análise dos dados foi conduzida com base na análise temática, conforme a proposta por Braun e Clarke (2006), articulada às contribuições de Minayo (2017) e Gomes (2007). A análise das pesquisas produzidas no período evidencia a consolidação do Programa de Residência Pedagógica como uma política formativa importante na articulação entre teoria e prática na formação inicial de professores. O conjunto das produções examinadas revela que essa política formativa contribuiu para o desenvolvimento de competências profissionais, para o fortalecimento da identidade docente e para a imersão qualificada dos licenciandos no cotidiano escolar.
O artigo discute o cinema como dispositivo pedagógico e sua contribuição à efetivação da Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER), à luz da Lei 10.639/2003. Enquanto linguagem artística e audiovisual, o cinema não apenas entretém, mas constitui subjetividades e opera na produção de modelos identificatórios, frequentemente reforçando a branquitude como padrão universal e representando a negritude, reiteradamente, por meio de estereótipos ou em posições de subalternidade, gerando apagamentos e sub-representação. Amparado nas contribuições de Stuart Hall, bell hooks, Patricia Hill Collins e Isildinha B. Nogueira e outras/os autoras/es, o estudo analisa as formas de representação racial no cinema e o poder simbólico que nelas se inscreve, ressaltando que tais representações não são neutras, mas atravessadas por relações de poder. Ao compreender o cinema como campo de disputa de sentidos e lugar de invenção de subjetividades, o artigo aponta sua potência como ferramenta pedagógica crítica e emancipatória, capaz de problematizar estruturas racistas e fomentar estratégias educativas que valorizem a diversidade e questionem hegemonias representacionais no campo da Educação.
Este artigo realiza uma análise interdisciplinar sobre a prevalência e os processos de inclusão educacional de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil e nos Estados Unidos, tendo como eixo crítico a justiça cognitiva e o protagonismo epistêmico autista. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza teórico-analítica, documental e comparativa internacional, articulando dados censitários recentes, marcos legais e produções acadêmicas, especialmente aquelas elaboradas por autores autistas. Foram utilizados dados do Censo Demográfico 2022 (IBGE), dos censos escolares brasileiros (INEP), do CDC (EUA), do U.S. Department of Education e do NCES. A análise estrutura-se em três eixos: prevalência do autismo; características sociodemográficas da população autista; e perspectivas interdisciplinares sobre inclusão educacional. Os resultados revelam desigualdades estruturais persistentes, silenciamentos institucionais e a urgência de políticas públicas baseadas em evidências, territorializadas e construídas com participação ativa das pessoas autistas. O estudo visa contribuir criticamente para o campo da inclusão, ao deslocar a centralidade biomédica e assistencialista em favor de uma abordagem pautada na justiça cognitiva, no protagonismo epistêmico autista e na ressignificação coletiva da educação.
Esta pesquisa tem como objetivo analisar a aplicação de recursos tecnológicos nas práticas docentes de Língua Portuguesa em instituições públicas e privadas de Cametá, Pará, instituindo uma comparação sobre a efetivação desses recursos, assim como a sua diversidade e contribuição, promovendo o debate sobre essa temática. A metodologia adotada segue uma abordagem qualitativa e seus procedimentos de análise incluem pesquisa de campo e coleta de dados. Para a obtenção dos dados, foram aplicados dois questionários, ambos elaborados para seus respectivos públicos-alvo, alunos e professores. Cada questionário contém oito perguntas objetivas, exceto o questionário destinado aos discentes, que apresenta duas perguntas de múltipla escolha. A fundamentação teórica baseia-se em Chaves (1999), Coscarelli (2016), Kenski (2012) e Vieira e Gomes (2015). Além disso, utilizamos os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997, 1998) e a Base Nacional Comum Curricular (2018). Os resultados indicam que uma quantidade significativa de alunos das instituições investigadas faz uso de algum instrumento tecnológico em sala de aula, sendo o celular o mais frequente; porém, o cenário é mais favorável ao uso da tecnologia na instituição de ensino privada. Tanto discentes quanto professores reconhecem que a tecnologia pode ser uma facilitadora e auxiliadora do ensino, desde que utilizada de maneira orientada e consciente. Por outro lado, observamos que os docentes ainda fazem uso limitado dos recursos tecnológicos disponíveis, embora saibam de sua eficiência e benefícios.
A avaliação da aprendizagem no ensino superior tem se caracterizado pela ênfase no controle e na mensuração do desempenho, privilegiando resultados imediatos em detrimento de processos formativos, o que pode conduzir a aprendizagens superficiais e limitar o desenvolvimento da autonomia discente. Nos últimos anos, entretanto, esse campo tem adquirido maior visibilidade em razão da emergência de debates e investigações sobre a Inteligência Artificial (IA), que evidenciam suas potencialidades teóricas e práticas no âmbito da avaliação. Neste artigo, sustentamos que as práticas atuais apresentam limitações persistentes, marcadas pela uniformidade, transitoriedade e fragmentação, desconexão social e profissional, dependência hierárquica em relação ao professor, classificação dos estudantes e distorção da qualidade da aprendizagem. Nesse cenário, analisamos abordagens de IA que podem atenuar parte dessas limitações, ampliando as possibilidades de acompanhamento contínuo, diversificação das estratégias de feedback e personalização das trajetórias educacionais. Argumentamos que a integração crítica e ética da IA pode contribuir para otimizar o tempo docente, tornar mais eficiente a gestão da avaliação e fomentar práticas avaliativas mais autênticas, inclusivas, sustentáveis e orientadas à aprendizagem, em consonância com as demandas contemporâneas do ensino superior.