
Trata-se do exame da ocorrência de artigos sobre o ensino de História da Educação em três periódicos brasileiros: Revista História da Educação (RHE), Revista Brasileira de História da Educação (RBHE) e Cadernos de História da Educação (CHE). Realizou-se levantamento detalhado das publicações em fluxo contínuo e em dossiês. A pesquisa consolidou dados sobre a quantidade e o ano de publicação dos artigos, bem como títulos, autores, instituições de vínculo, temáticas abordadas, recortes geográficos e temporais, além das referências mais citadas. Os resultados dos periódicos RHE, RBHE e CHE apontam regularidade nas publicações sobre o ensino de História da Educação. Embora a temática apareça de forma pontual e em menor escala do que temas consolidados, tais como a História das Instituições Escolares, ela frequentemente tangencia investigações sobre formação de professores e manuais disciplinares. Constatou-se, ainda, um grupo ativo de pesquisadores, majoritariamente brasileiros, mas com abertura internacional, impulsionando a investigação na temática.
O presente ensaio tem como objetivo trazer reflexões sobre a história, a seleção, as principais características e funções dos livros didáticos de Ciências e de Biologia na Educação Básica, analisando suas influências nos processos de ensino e aprendizagem nas salas de aula brasileiras. Aprofunda-se na evolução que essas obras tiveram ao longo dos anos como objeto da cultura escolar, sobretudo por apresentarem abordagens de cunho político, social e ideológico, diretamente relacionadas às vivências dos indivíduos e às suas ações sociais. Aborda-se o percurso histórico do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) e sua interlocução com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), bem como as fragilidades, os benefícios e os investimentos que essa política pública trouxe até a atualidade. Destaca-se, ainda, o foco do ensino de Ciências e de Biologia em buscar maior envolvimento do aluno na construção de novos conhecimentos e na formação de sujeitos ativos.
Em 2024, a Universidade de São Paulo – USP celebrou o seu nonagésimo aniversário por meio de diversificados eventos promovidos pela “Comissão para as Comemorações dos 90 anos da USP”. Uma das iniciativas mais instigantes desta comissão, em parceria com a Edusp, foi a publicação de vários livros sobre diferentes dimensões da história da USP, selecionados por meio de edital público. Um dos ensaios escolhidos tornou-se o livro “A Faculdade de Educação e a Formação Docente na USP”, de Diana Gonçalves Vidal e Bruno Bontempi Jr., publicado em 2025. Trata-se de produção da “prata da casa” porque os dois autores são docentes de história da educação da FEUSP, e aproximaram as suas expertises para comporem uma trajetória institucional da faculdade onde ensinam e pesquisam. Enquanto Diana lançou mão dos seus conhecimentos acerca da história da formação docente, Bruno movimentou as suas pesquisas sobre a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. O resultado é um livro fluente e consistente, que apresenta várias camadas históricas nas aproximadamente seis décadas de existência da FEUSP. Construída por meio de garimpagem de bibliografias e de fontes escritas e imagéticas, esta arqueologia institucional não justapõe camadas históricas, mas as concebe atravessadas por tensões e de modo imbricado.
Questiona-se como o Arquivo Histórico de Moçambique contribui para o ensino de graduação em História da Universidade Eduardo Mondlane. Assim, busca-se compreender o seu papel; conhecer o curso de graduação em História; identificar e selecionar as monografias que têm o Arquivo Histórico de Moçambique como fonte e/ou como objeto de estudo, e analisar como é mobilizado este arquivo nessas monografias. É um estudo de caso quali-quantitativo, baseado em revisão de literatura, pesquisa documental e estudo bibliométrico, onde aplicou-se análise de conteúdo às monografias recuperadas no Repositório da Universidade Eduardo Mondlane. Com base em termos de busca pré-definidos, foram recuperadas 4 monografias de 143 existentes, sendo 3 através do termo “Arquivo” e 1 “Arquivo Histórico de Moçambique”. Conclui-se que o curso tem o Arquivo Histórico de Moçambique como fonte. “Memória” não aparece como temática das monografias. Infere-se que haja monografias não depositadas e/ou indexadas no repositório.
Neste artigo, destacamos como fonte principal de análise os anais do Seminário Científico Internacional Resistências à Mudança: fatores que impedem ou dificultam o Desenvolvimento, realizado em 1959 pelo Centro Latino-Americano de Pesquisas em Ciências Sociais (CLAPCS), no Rio de Janeiro, Brasil. Os anais desse evento mostram os debates que tomaram a educação e a instrução pública na América Latina como focos de discussão, entendendo, de forma especial, a escola latino-americana como um fator de conservadorismo da sociedade. A rede de intelectuais transnacionais envolvida nesse evento caracteriza, por um lado, um momento de profundo envolvimento entre os campos das Ciências Sociais e da Educação, em franco processo de institucionalização, e, por outro, um esforço em propor determinadas soluções racionais para a resolução dos problemas sociais e melhor encaminhamento das políticas e do planejamento educacional dos países envolvidos, articulados em torno dos organismos internacionais (Sirinelli, 2003).