
O presente artigo refletirá acerca do mais-valor relativo, buscando demonstrar que, em decorrência de sua própria dinâmica interna, sua produção se torna cada vez mais difícil. Para este fim, serão apresentadas as determinações relativas ao processo de produção do mais-valor, conforme exposição de Marx no Livro I de O Capital. Além disso, com base na conclusão do filósofo alemão, exposta no Livro III de O Capital, de que a massa global de mais-valor é distribuída entre os capitais individuais segundo o princípio da taxa média de lucro, será defendido que a condição para que o processo de acumulação dos capitais individuais se concretize, no curso do tempo, é a expansão dessa massa global de mais-valor. Uma vez que um dos principais métodos de ampliação da massa de mais-valor é a produção do mais-valor relativo, conclui-se que a diminuição crescente da produção do mais-valor relativo torna o processo de acumulação cada vez mais difícil.
This article explores Lou Andreas-Salomé's (1992) interpretation of Friedrich Nietzsche’s work in her “Friedrich Nietzsche in His Works,” focusing on her psychological and existential reading of Nietzsche's central concepts. Salomé proposes a profound connection between life and work, arguing that Nietzsche developed his philosophy as a personal response to the crisis of Western values. The article examines Salomé’s three main interpretative axes: a) the relationship between Nietzsche's personal experiences and his philosophy, seen as a kind of “involuntary self-confession”; b) Nietzsche’s multifaceted writing style, revealing a fragmented spirit resulting from the conflict and attempted reconciliation of various distinct identities (the musician, the poet, the philosopher, the philologist, the religious), in perpetual metamorphosis and self-overcoming; c) the mystical dimension of Nietzsche’s final “system,” exposing a divine ideal of transcendence projected in concepts like Eternal Recurrence, Overman, and Will to Power. Ultimately, these analyses are situated within the broader Nietzschean interpretive community, drawing panoramic comparisons with commentators like Walter Kaufmann, Martin Heidegger, Karl Jaspers, Gilles Deleuze, Michel Foucault, Gianni Vattimo, and Alexander Nehamas, revealing the originality and influence of Salomé’s perspective in Nietzschean studies.
Este artigo propõe uma leitura do pensamento de Friedrich Nietzsche em que a moral é compreendida como uma “semiótica dos afetos”, ou seja, como expressão simbólica de determinadas configurações pulsionais historicamente consolidadas em forma de valores. Explicitando o procedimento genealógico desenvolvido pelo próprio Nietzsche, a investigação busca interpretar os valores morais não a partir de sua validade normativa, mas a partir de sua proveniência, função e efeitos sobre a vida. A análise é conduzida por uma abordagem filosófico-conceitual, centrada na leitura crítica de obras como Genealogia da moral, Além do bem e do mal e O crepúsculo dos ídolos, e mobiliza ainda comentadores contemporâneos. Parte-se da hipótese de que os valores morais atuam como sintomas de uma organização afetiva específica do corpo e da cultura, expressando formas de obediência e interiorização que produzem o “indivíduo moral”. A tipologia entre moral dos senhores e moral dos escravos permite avaliar os efeitos dos valores sobre a potência vital, servindo como critério para um diagnóstico filosófico das formas de vida. O artigo pretende ressaltar que Nietzsche não visa fundamentar uma nova moral, mas interpretar a moralidade enquanto linguagem simbólica dos afetos e prática histórica de organização da vida.
Neste artigo, examinamos as anáforas e catáforas a partir da perspectiva do holismo semântico moderado, com o objetivo de analisar como se constroem as referências na linguagem natural, especialmente em casos em que os métodos locais de interpretação se mostram insuficientes. A partir de alguns exemplos em cinco idiomas, argumentamos que a referência pronominal não é uma operação isolada, mas um processo que depende do discurso, do contexto e das crenças compartilhadas entre os falantes. Em contraste com os modelos clássicos de composição do significado, como os de Heim, Kamp e Partee – que estabilizam a interpretação por meio de coindexação ou escopo –, propomos uma alternativa mais flexível: o holismo semântico moderado desenvolvido por Jackman. Essa versão do holismo semântico sustenta que o significado não está fixado na própria oração, mas se constrói ao longo do discurso, por meio de redes dinâmicas de sentido e expectativas racionais. Nessa perspectiva, as anáforas e catáforas não apenas geram conexões gramaticais, mas também dependem de processos inferenciais distribuídos. Nossa análise conclui com uma reflexão filosófica que convida a ampliar a noção de significado em direção a modelos sensíveis ao uso real da linguagem, à cooperação comunicativa e às práticas linguísticas compartilhadas.
A Metáfora Viva de Paul Ricœur examina a metáfora sob diferentes perspectivas: retórica aristotélica, análise semiótica no nível da palavra, semântica no nível da frase, e hermenêutica no nível do discurso. Ricœur legitima cada abordagem dentro de seus próprios limites, formando um encadeamento sistemático da palavra ao discurso. Ele argumenta que uma análise semiótica ignora o contexto, enquanto a semântica não diferencia entre alegoria e metáfora restando à hermenêutica oferecer uma referência mais abrangente. Metáfora viva é aquela que mantém seu poder inovador operando por meio de uma transgressão da linguagem cotidiana e científica, preservando o poder criador e heurístico da linguagem. Metáforas vivas possibilitam uma experiência simbólica da linguagem em sua dimensão mais profunda.