RESUMO O ensaio discute o livro A Revolução Burguesa no Brasil em seu cinquentenário. Argumenta a favor do estatuto de clássico do livro de Florestan Fernandes e mais do que isso pela atualidade da sua tese sobre a autocracia burguesa. Uma breve comparação com Os donos do poder, de Raymundo Faoro, busca esclarecer as condições adversas de recepção do livro de Florestan no contexto de transição democrática que então se construía.
Resumo O ensaio aborda a “virada periférica” na crítica da cultura brasileira a partir de e em Heloisa Buarque de Hollanda. Para tanto, discute iniciativas capitais da crítica que hoje assina Heloisa Teixeira, como curadorias de exposições sobre as periferias urbanas, publicação de coleções de livros e a Universidade das Quebradas. No lugar de uma interpretação dos conteúdos, o ensaio dá mais atenção à “forma” dessas iniciativas, seguindo sugestão de Susan Sontag. E para compreendê-las como um repertório de formas que faz sentido na sociedade e na cultura brasileiras, situa a virada periférica da autora numa série genealógica, a que chamamos do “espanto” do intelectual brasileiro diante da capacidade de agência do “povo”. Com isso, queremos destacar as contribuições de Heloisa Buarque de Hollanda no processo de democratização da cultura no Brasil.
RESUMO O ensaio aborda as relações entre cultura e política no Brasil nos anos 1960-1970. O foco da discussão é a tese de doutorado de Heloisa Buarque de Hollanda, que hoje assina Heloisa Teixeira, defendida em literatura brasileira em 1979 e publicada em livro no ano seguinte. Argumentamos que Impressões de viagem: CPC, vanguarda e desbunde (1960/70) representa um marco na crítica cultural brasileira, abrindo caminhos para a inteligibilidade do processo de democratização da cultura no país. Para marcar diferenças de perspectivas no debate, trazemos para a discussão o ensaio “Cultura e política, 1964-1969”, de Roberto Schwarz, que tem tido centralidade nas discussões sobre a cultura nos anos da ditadura civil-militar brasileira.
Resumo Neste artigo, recuperamos a perspectiva sociológica histórico-comparada de Barrington Moore Jr. através de dois de seus trabalhos: o famoso As origens sociais da ditadura e da democracia e Injustiça, identificando as diferenças mais marcantes no que se refere às suas abordagens. Se, no primeiro, o ponto de partida são as singularidades para a construção de proposições teóricas mais gerais, o segundo é um trabalho que parte de um debate teórico marcado por uma maior abstração para, em um segundo momento, aterrissar em um tipo de análise teórica de médio alcance, atento à dimensão da ação coletiva. Ainda procuramos pensar, em um terceiro ato, o modo pelo qual os livros que são frutos das teses de doutorado de Elisa Reis, Otávio Velho e Werneck Vianna formalizam sociologicamente fecundo diálogo com a perspectiva de Barrington Moore Jr. para pensar o processo de modernização no Brasil.
Nesta contribuição coletiva do projeto MinasMundo: o cosmopolitismo na cultura brasileira buscamos debater a maneira como as efemérides do ano 1922-2022 vêm sendo comemoradas e quais horizontes se abrem para o centenário 1924-2024, ano chave do modernismo visto desde Minas-Gerais. Discutimos o cosmopolitismo como forma de problematizar a dependência cultural, o papel da cultura brasileira no mundo e as desigualdades da geopolítica global de produção do conhecimento, entre outras.
RESUMO Três momentos decisivos das relações entre Estado e sociedade no pensamento social e político são abordados: no Império, o debate entre Tavares Bastos e o Visconde do Uruguai; na Primeira República, Oliveira Vianna é o autor central; na transição da ditadura civil-militar de 1964-1985 para a democracia, Raymundo Faoro e Florestan Fernandes são incontornáveis. Se no primeiro momento o debate sobre centralização e descentralização política concentra os interesses, no segundo a questão da adequação das instituições políticas à sociedade é o grande tema; mas, já no terceiro momento, o enfrentamento do problema da democracia nas relações entre Estado e sociedade não poderia ser mais adiado. Traçando esse histórico, no Bicentenário da Independência, queremos repensar impasses dessas relações que permanecem em aberto no presente.
Este artigo apresenta os primeiros resultados de pesquisa mais ampla que propõe uma nova frente de investigação do memorialismo modernista mineiro e busca testar as possibilidades, alcances e limites de tratá-lo, sociologicamente, como uma experiência reflexiva da figuração do indivíduo, dos processos sociais de subjetivação e do conflito entre indivíduo e sociedade. Aqui nos concentraremos nas escritas autobiográficas de dois protagonistas centrais dessa prática literária e social: Balão cativo (1973), de Pedro Nava, e A idade do serrote (1968), de Murilo Mendes. Antes de concluir, fazemos ainda uma consideração intermediária sobre Menino sem passado (1936-1948), de Silviano Santiago (2021), como um dispositivo anacrônico de reescrita radical dos dois livros citados, que joga, teórica e ficcionalmente, com os modos, direções e intensidades de diferenciação de linhas de ação/individualização e com as relações de tensão entre elas.
Resumo Estimulados pela dupla efeméride do bicentenário da Independência e do centenário da Semana de Arte Moderna, convidamos Lilia Schwarcz e André Botelho para uma conversa sobre as possíveis contribuições das ciências sociais para um enquadramento mais amplo, crítico e reflexivo desses dois eventos fundantes da nacionalidade brasileira.
Resumo Este registro de pesquisa situa um texto importante de Silviano Santiago dentro do debate sobre o que se pode fazer, hoje, com o legado do modernismo. Ainda, coloca questões sobre este movimento cultural para além do seu marco simbólico mais consagrado, a Semana de Arte Moderna de São Paulo, de 1922. Em 2024, comemoraremos o centenário da viagem modernista a Minas Gerais: um bom momento para rediscutir eurocentrismo, cosmopolitismo, ideais de pureza e unidade na cultura brasileira, bem como limites e possibilidades da nossa dependência cultural no cenário mundial.
Resumo O artigo se propõe a abrir e explorar uma nova frente de pesquisa sobre o modernismo brasileiro a partir da análise da obra e da atuação de um de seus principais líderes, Mário de Andrade. Mais especificamente, pretende investigar e testar as possibilidades e os limites da ideia de modernismo como movimento cultural. A aposta é que essa ideia é boa não apenas para pensar uma agenda de mudança cultural na sociedade proposta por Mário, como também para repensar sua própria obra (em movimento), sua percepção aguda das mudanças e continuidades da sociedade brasileira e o sentido dissonante e crítico de suas ideias em relação ao sentido hegemônico assumido pelos temas da identidade nacional e da cultura brasileira no contexto dos anos 1920-40.
Apresentação do Dossiê Celso Furtado, transdisciplinar e contemporâneo
Introduction: The diagnosis of chronic hypersensitivity pneumonitis (CHP) is based on relevant exposure, tomographic findings and, in some cases, pathological data. The role of bronchoscopy is uncertain, especially in the fibrotic form of CHP. Aim: To analyze the yield of transbronchial biopsy (TBBx) in patients with CHP according to tomographic findings and to evaluate the importance of bronchoalveolar lavage (BAL) in the diagnostic approach. Methods: This retrospective study analyzed patients with CHP who underwent TBBx in Sao Paulo, Brazil. The TBBx findings were classified as characteristic (granulomas and/or multinucleated giant cells, associated or not with peribronchiolar infiltration of lymphocytes and plasma cells and bronchiolocentric distribution) and supportive (data indicative of small airway injury: peribronchiolar metaplasia, organizing pneumonia, and intra-alveolar foamy macrophages). RESULTS: One hundred nine patients were included. The presence of characteristic findings of HP was seen in 16 patients (14.7%), and supportive findings were seen in 32 patients (29.4%), with a total yield of 44%. Pathological characteristic findings were more common in cases without fibrosis on high-resolution computed tomography (HRCT) (27.3% vs. 9.2%, p= 0.014), whereas the presence of supportive findings was more common in fibrotic HP (38.1% vs. 9.1%, p= 0.002). Fifty-two patients had differential cytology in BAL fluid. Lymphocytosis (>= 20%) was present in 51.9% of the patients. There was no difference in the median lymphocyte count according to nonfibrotic and fibrotic tomographic findings on HRCT. Conclusion: TBBx and BAL fluid cytology have a role in CHP diagnosis.
Resumo Busco nesse registro de pesquisa circunscrever de um ponto de vista sociológico o entrelaçamento entre subjetividade individual e cosmopolitismo na cultura brasileira no e a partir do memorialismo de Pedro Nava. Duas experiências de pesquisa o informam. No ponto de partida original, atividades múltiplas em torno de Nava nos últimos dez anos: como pesquisador, professor em sala de aula, orientador de tese e organizador da reedição da sua obra. Na outra extremidade, que, no entanto, não é apenas um ponto de chegada, mas também um novo ponto de partida, essas experiências são em parte reorientadas com vistas ao projeto coletivo “Minas mundo: o cosmopolitismo na cultura brasileira” que estamos iniciando numa grande rede de pesquisa e cooperação interdisciplinar, nacional e internacional.
Texto baseado em palestra proferida no evento Leite Lopes: 100 Anos, realizado no CPBF em 30 de outubro de 2018.
This article aims to problematize the vision of Brazilian essayism from the 1920s to 40s crystallized by the social sciences and the uniformizing tendency of the different interpretations of Brazil developed through this form of sociological imagination. This analytical procedure is understood as a prerequisite for rethinking the status of the essay and its interrogatory capacity contemporaneous with the Brazilian social sciences and society.