This article aims to contribute to the debate on the process of socio-spatial formation and urban space production in the city of Porto Velho, the capital of the state of Rond & ocirc;nia, an Amazonian city resulting from national and international frontier incorporation processes. In this sense, the analyses presented here were directed towards the recovery of the historical process of constituting this agglomeration, with a temporal focus on the period from the 19th century to the present day. This article highlighted the aspects that guided the city's formation, emphasizing the economic, political, social, and cultural relations that contributed to the occupation of space, demonstrating that the spatial dynamics of Porto Velho have been associated with economic cycles and external activities since the city's inception, a condition that persists.
O artigo apresenta algumas reverberações do encontro de quinze urnas arqueológicas com a comunidade de Tauary, localizada na zona de amortecimento da Floresta Nacional de Tefé, no médio rio Solimões, Amazonas. O achado potencializou o desejo da salvaguarda do material e da criação de um museu comunitário para o gerenciamento dos referenciais patrimoniais, onde a memória é o eixo estruturador do passado. Essa história também é atravessada pela vontade de construção de uma escola de alvenaria que convida à prática arqueológica para assumir seu caráter dialógico e formativo. Da mesma forma, o espaço é aberto para uma atuação engajada, em que as pesquisas se tornam aliadas das demandas locais, assim como se vislumbra o desenvolvimento de práticas colaborativas por meio das relações de autoajuda e compadrio, que são marcas constitutivas da formação das comunidades tradicionais a partir da década de 1980.
This article explores the significance of educational approaches in collaborative archaeology projects with traditional communities in the Brazilian Amazon. From 2017 to 2022, we worked with riverside populations in Sustainable Use Conservation Units along the mid-Solimões River in Amazonas. Through this collaboration, we identified a local system of mutual aid among families, which relates to the communities’ pursuit of autonomy since the 1980s. The research was conducted through a technical-scientific cooperation agreement between the Museum of Archaeology and Ethnology at the University of São Paulo (MAE-USP) and the Mamirauá Institute for Sustainable Development (IDSM), with financial support from the Gordon and Betty Moore Foundation from 2017 to 2019. All work was approved by the IDSM Ethics and Research Committee. Our goal was to engage schools, teachers, and students with archaeology by developing educational activities. We used heritage education methodologies and active listening techniques, informed by archaeological ethnography and oral history, to incorporate local knowledge into our research. The study involved collaboration with community leaders, artisans, teachers, and elders. This context calls for collaborative archaeological practices that seek mutual benefits and deepen the understanding of material culture and historical timelines. Educational initiatives play a crucial role in scientific work, fostering balanced exchanges between archaeological and community perspectives, additionally contributing to the production of more differences based on the notion of kinship
Este artigo visa contribuir para o debate sobre o processo de formação socioespacial e da produção do espaço urbano da cidade de Porto Velho, capital do Estado de Rondônia, enquanto cidade amazônica, fruto dos processos de incorporação nacional e internacional da fronteira. Nesse sentido, as análises aqui arroladas se direcionaram para o resgate do processo histórico de constituição dessa aglomeração, tendo por recorte temporal o período compreendido entre o século XIX até os dias atuais. Neste artigo, foram destacados os aspectos que balizaram a formação da cidade, enfatizando as relações econômicas, políticas, sociais e culturais que contribuíram para a ocupação do espaço, demonstrando que as dinâmicas espaciais da cidade de Porto Velho estiveram associadas a ciclos econômicos e atividades externas desde o início da implantação da cidade, condição que permanece. Palavras-Chave: Porto Velho; Espaço Urbano; Formação Socioespacial.
This article intends to analyze the contemporary context of Brazilian collections and university museums from the perspective of sociomuseology. Data from this specific category of museums are presented, here called in their heterogeneous set as University Museological Nucleus. Aspects of its potential and challenges for social demands are presented, with emphasis on the inclusion of contemporary museum processes that seek to insert inclusive narratives within traditional structures, in academic environments, historically constituted. The objective is to develop a reflection based on texts that address aspects of the museum field in built spaces, or even in projects, that operate in higher education institutions, in the field of research, teaching and cultural extension, based on collections formed for academic purposes, and that currently intend to expand their original attributions, to glimpse the society, from the perspective of their individuals as historical agents. The cooperation networks are inserted in the present study as a systemic complex, constituting themselves as an action strategy in the face of social challenges for the communication of university museological heritage. Here we are not looking for conclusions and directions, but the construction of a discourse that can contribute to the instigating debate on the relationship between sociomuseology, museums and universities. Key words: University museums; University; Sociomuseology; Cooperation networks.
Esta tese tem como objetivo compreender o papel da socialização do patrimônio arqueológico com comunidades tradicionais inseridas em Unidades de Conservação de Uso Sustentável na Amazônia. Foram desenvolvidas ações com as comunidades de Boa Esperança, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (RDS Amanã), e de Tauary, na Floresta Nacional de Tefé (FLONA Tefé),ambas no Médio Solimões, estado do Amazonas. Foram realizadas escutas das histórias de vida de lideranças mais velhas, de professores/as e jovens, marcadas por um hibridismo entre a educação, a etnografia arqueológica e a história oral em decorrência da localização desta pesquisa na fronteira desses campos disciplinares. Também foram desenvolvidas práticas de educação patrimonial nas localidades, uma demanda constante e antiga das famílias e das escolas. Devido à organização de base comunitária das famílias, ao papel das relações de compadrio e ajuda mútua que mudaram suas histórias de vida, existe uma forte gramática local, que convida para a realização das pesquisas de forma colaborativa. Dessa forma, por meio dos aprendizados com as famílias, são apresentados alguns caminhos para uma tradução possível da arqueologia colaborativa, como uma “arqueologia parente”, que tem em sua centralidade a dialogia inerente aos trabalhos educativos. As ações de socialização se diluem nessa abordagem, pois são constitutivas de qualquer arqueologia realizada com essas comunidades. Também é favorecida a produção de histórias não lineares correlacionada às concepções e às memórias locais da materialidade com o tempo da história de longa duração indígena produzida pela arqueologia. Como resultado, é indicado o impacto latente de nossas práticas junto às famílias, o que faz emergir um rico contexto para a continuidade dos trabalhos, especialmente nessa perspectiva de se “tornar parente”. Também é discutido o contexto propício para a criação de museus comunitários, os quais podem contribuir para o gerenciamento dos referenciais culturais locais e para a gestão do patrimônio arqueológico, compreendido como um meio e não um fim em si mesmo.
Esta obra tomou como base o processo e a criação do Curso intitulado Educação museal em tempos de crise: reflexões sobre novas práticas educativas. A dinâmica de estruturação do curso iniciou-se com a formação de uma equipe nuclear, a partir da qual ocorreram encontros e debates internos, a partir de textos que abordassem os temas atuais, com as experiências profissionais, tendo sempre em vista a abrangência geral da prática educativa em diferentes museus. Como resultado desta dinâmica, emergiram os quatro aspectos centrais que modularam o nascimento da proposta do curso: 1) Antropoceno; 2) Controvérsias Científicas 3) Marcadores sociais da diferença; 4) Multiespécies. Dentre os temas mencionados acima, definiu-se o conceito Antropoceno como norteador, uma vez que as discussões e reflexões a serem tratadas convergem para esta noção que tem atualmente definido o período em que vivemos e, consequentemente, influenciado os processos de trabalho nos museus. As especificidades dos três museus a que os coordenadores do curso estão vinculados – Museu de Microbiologia do Instituto Butantan, Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo e o Museu de Anatomia Veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo – serviram de referência para o aprofundamento dos debates. É importante ressaltar que, embora cada instituição possua suas particularidades teóricas e práticas, todas compartilham ao mesmo tempo de problemas comuns dentro do campo da comunicação museal. A coordenação entendeu ser fundamental estender essa experiência em uma publicação, a fim de que outros profissionais e estudantes tenham acesso aos conteúdos abordados durante o curso, mas, sobretudo, para ampliar as vozes de diferentes perfis e realidades daqueles que fizeram parte dessa experiência. Os textos aqui reunidos apresentam a diversidade de questões e inquietações vivenciadas.
Apresentamos neste artigo a Plataforma Educativa da exposição colaborativa “Resistência Já! Fortalecimento e união das culturas indígenas. Kaingang, Guarani Nhandewa e Terena”, desenvolvida pelos três grupos indígenas do centro-oeste do Estado de São Paulo em parceria com o MAE-USP. A discussão de processos curatoriais colaborativos a partir da área da educação em museus contribui para estendermos essa pauta no campo museal. O desafio ético das ações para ampliação e respeito das vozes indígenas deve ser uma busca constante da equipe de profissionais, e nesse sentido, o movimento de escuta e o fomento da relação são caminhos potenciais para resultados positivos. Trabalhar na interculturalidade apresenta possibilidades da implantação de práticas decoloniais.
O livro é direcionado para quem trabalha com educação na rede básica de ensino (Ensino Infantil, Fundamental e Médio) em contextos comunitários no interior do Estado do Amazonas, especialmente nas comunidades ribeirinhas localizadas em Unidades de Conservação de Uso Sustentável. O livro nasce a partir da demanda de professores/as de comunidades localizadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã e na Floresta Nacional de Tefé na região do Médio Solimões, próximo a Tefé, que recebem pesquisadores/as de várias áreas. O desejo de ter acesso aos dados produzidos em seus quintais é uma forma de melhorar o ensino local e promover o desenvolvimento das novas gerações. O convênio firmado entre o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP tem permitido avanços nas pesquisas e na área de socialização do patrimônio arqueológico. Os textos exploram diferentes temas e são resultados de dados levantados na região. Como a arqueologia é um campo do conhecimento interdisciplinar, ou seja, necessita da abordagem da história, antropologia, biologia, geografia, física, química, artes etc., a obra é capaz de inspirar o trabalho de professores/ as de qualquer campo do conhecimento.
Resumo As relações das pessoas com as coisas e os sítios arqueológicos no contexto amazônico é extremamente plural e contextual. A cada comunidade, pesquisadores e pesquisadoras aprendem outras formas de pensar as intrínsecas relações entre passado e presente. O Laboratório de Arqueologia do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá tem primado por uma atuação interdisciplinar para o desenvolvimento de ações e pesquisas com as comunidades ribeirinhas nas áreas de proteção. Neste artigo, abordamos as práticas arqueológicas e a salvaguarda do patrimônio em contextos comunitários. Por meio da arqueologia, da conservação arqueológica e da educação, refletimos sobre nosso papel como profissionais que atuam a partir de diferentes saberes e grupos de interesse, onde valores, significados e resultados são revisitados a todo momento em que novas colaborações são estabelecidas, seja entre pesquisas acadêmicas, seja entre agentes da comunidade. Para isso, discute-se os trabalhos desenvolvidos em Boa Esperança, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã, que recebe arqueólogos e arqueólogas desde 2006. Consideramos que a pesquisa se transformou pelo contexto comunitário e pela ampliação do envolvimento de diferentes agentes, reorientando nossas ações em busca de alternativas de médio e longo prazo para a gestão colaborativa e sustentável do patrimônio arqueológico amazônico.
Este artigo discute e reflete sobre a criação e consolidação da Semana Internacional de Arqueologia Discentes MAE/USP (SIA), que surgiu em 2007 e passou a ocorrer com frequência bianual. Organizada de forma aberta e colaborativa por discentes do Museu, a SIA se tornou um espaço de articulação, troca de conhecimentos e experiências, que desempenha um papel fundamental na formação de futuros profissionais engajados com a ciência e a gestão do patrimônio arqueológico no cenário nacional da Arqueologia. Ao longo das várias edições, o evento se profissionalizou e ganhou a marca internacional, com a criação de um protocolo dinâmico e democrático para que estudantes possam exercer trabalhos conjuntos e de maior inserção institucional. Uma organização feita por discentes e voltada para pessoas interessadas em geral, a SIA potencializou seu espírito aberto e o diálogo crescente com os diferentes coletivos humanos que vem demandando novas práticas e posturas do fazer arqueológico. Por meio de entrevistas, questionários, análises da documentação e nossa experiência pessoal, trazemos aqui um olhar sobre a história da SIA e seu papel na trajetória acadêmica de discentes e no Museu como um todo. Esperamos que essa reflexão possa contribuir com o estímulo para a continuidade e surgimento de outros eventos semelhantes pelo país.
O presente resumo traz como temática as relações étnico-raciais e a prática docente de história, as contribuições africanas e afro-brasileiras na cultura brasileira e mato-grossense. Nosso objetivo ce
O presente artigo apresenta diferentes narrativas sobre os trajetos da Rede de Museus e Acervos Arqueológicos e Etnográficos (REMAAE) no país, criada em 2008. Por meio da coleta de relatos e informações de diversas ordens entre suas/seus coordenadoras/es e integrantes, e da análise de publicações, artigos e documentos da Rede, exploramos os antecedentes dessa articulação, seus reposicionamentos e agendas ao longo do tempo, bem como os desafios identificados no presente, que possam orientar ações futuras. A perspectiva oferecida pelo campo da Memória Social permitiu, ademais, valorizar e reproduzir algumas das características mais pungentes da articulação de seus membros, como a polifonia e a não-hierarquização das áreas disciplinares de formação.
Neste artigo, discute-se a contribuição do Educativo do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo na formação de novas gerações para o campo museal e áreas correlatas. A instituição, ao longo de décadas, tem sensibilizado profissionais por meio do ensino, da pesquisa e da extensão. Os museus universitários, nessa perspectiva, têm atuação crucial ao ampliar o vínculo da universidade com a sociedade, especialmente com os trabalhos educacionais para o público em geral. Com o crescimento do acesso de distintas parcelas da população ao espaço universitário nos últimos anos, os museus podem ser um local privilegiado para o acolhimento dessas diferenças e para sua incorporação no mundo da ciência e da museologia. Muitos e muitas profissionais que hoje atuam em diferentes segmentos da área do patrimônio cultural começaram sua vida profissional nesses locais, em particular dentro das universidades públicas.
O presente artigo tem como objetivo discutir a atual produção literária infanto-juvenil brasileira a partir de alguns pressupostos da teoria pós-colonial, defendendo, para tanto, a importância da incorporação da história e da cultura africana no plano da representação estética. Ao adotarmos a perspectiva pós-colonial, assumimos a necessidade de essa produção literária afirmar-se como uma enunciação que confere legitimidade à cultura do outro, por meio de um outro olhar que se instaura e se impõe como uma voz literária autêntica.
Este artigo aproxima a teoria queer das ações educativas, direcionadas à arqueologia, desenvolvidas no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo, com o objetivo de se engajar com posturas menos normatizadas e abertas ao acolhimento de repertórios de diferentes públicos. Busca-se tensionar as interpretações arqueológicas e suas ressonâncias com as questões contemporâneas, principalmente com corpos e identidades silenciadas. Desde 2018, o Educativo da instituição tem lidado com o desafio da abordagem da sexualidade e do gênero, como meio de se refletir sobre o presente e sua imbricação no passado, reforçando o papel político da arqueologia e dos museus. Interpretação arqueológica é criação e, por meio dela, são fundados novos mundos, nesse sentido deve-se experimentar práticas que possibilitem a capacidade de imaginação e atuação política no presente.