
Este estudo analisa a apropriação de práticas avaliativas mediadas por rubricas analíticas na formação inicial de professores de Matemática, à luz da avaliação formativa e do Assessment for Learning. O objetivo foi investigar como a elaboração e o uso de rubricas impactam competências avaliativas, autorregulatórias e reflexivas em licenciandos. Trata-se de pesquisa mista, realizada com doze estudantes de uma universidade pública brasileira, em uma intervenção didática que envolveu planos de aula e construção colaborativa de rubricas. Os dados quantitativos foram analisados por estatística descritiva, organizados em três eixos, e os qualitativos por Classificação Hierárquica Descendente, com apoio do IRaMuTeQ. Os resultados indicam que as rubricas favoreceram clareza criterial, transparência, feedback formativo e autorregulação da aprendizagem, e evidenciaram desafios relacionados ao tempo de elaboração e à complexidade do julgamento avaliativo. Conclui-se que o uso formativo de rubricas fortalece o pensamento avaliativo na formação docente, no Ensino Superior.
O presente artigo tem como objetivo analisar, em perspectiva teórico-analítica, como o Desenho Universal para Aprendizagem (DUA) e o Coensino podem ser articulados na formação de professores, de modo a fortalecer práticas pedagógicas inclusivas na Educação Básica. Metodologicamente, o estudo configura-se como um ensaio teórico-analítico de natureza qualitativa, fundamentado na análise interpretativa de produções acadêmicas nacionais e internacionais que discutem formação docente, educação inclusiva, DUA e ensino colaborativo. A análise desenvolveu-se a partir da construção de eixos temáticos, permitindo identificar convergências conceituais e complementaridades entre as abordagens investigadas. Os resultados indicam que a articulação entre DUA e Coensino potencializa a flexibilização curricular, o planejamento colaborativo e o acesso equitativo ao currículo, contribuindo para a construção de ambientes de aprendizagem mais responsivos à diversidade e para o fortalecimento de uma cultura escolar democrática, ética e inclusiva, sustentada pela corresponsabilidade docente e pela valorização das diferenças.
Considerando que materiais curriculares oferecem diferentes abordagens pedagógicas dos conteúdos de Matemática, além de orientarem os papéis de professores e estudantes nos processos de ensino e de aprendizagem, buscou-se analisar estratégias de resolução e papéis dos professores e estudantes na abordagem dada à equação polinomial do 2º grau em Manuais do Professor do 8º e 9º anos. Pautada em uma análise documental em oito Manuais do Professor de quatro coleções de materiais curriculares, foram mapeadas e analisadas as técnicas de resolução de equação do 2º grau, as tarefas relacionadas a elas e as orientações de ensino correspondentes aos professores. Evidencia-se que, das 235 tarefas analisadas, predominam técnicas algébricas menos complexas e tarefas que posicionam os estudantes como respondentes (54%) e descritores (41%), enquanto o papel de argumentador aparece em apenas 5% das tarefas analisadas.
Este estudo teve por objetivo analisar as percepções de professoras, que atuam nos anos iniciais do Ensino Fundamental em uma Escola Quilombola no interior da Bahia, acerca das manifestações do conceito de interculturalidade no cotidiano escolar. Trata-se de um estudo que tem como base metodológica a Pesquisa-Ação Crítico Colaborativa construída a partir de um processo formativo com 09 professoras. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas no início e no final do respectivo processo como forma de identificar os saberes docentes pré e pós formação. Como resultado foi possível identificar a importância da Pesquisa-ação como instrumento de formação docente. A conclusão destaca a relevância do debate sobre o conceito de interculturalidade no cotidiano da escola como forma de promover uma educação transformadora e de formação crítica.
O texto analisa a docência na Educação Infantil a partir de uma perspectiva crítica, evidenciando suas ambiguidades, contradições e desafios históricos. Parte da compreensão de que o trabalho docente com crianças pequenas não pode ser reduzido a práticas assistencialistas ou espontaneístas, mas deve ser reconhecido como ação pedagógica intencional, de caráter intelectual e político. O ensaio acadêmico retoma o percurso histórico da Educação Infantil no Brasil, destacando sua origem marcada por funções de cuidado, controle social e desigualdades de acesso, que ainda reverberam nas práticas contemporâneas. Ao discutir as concepções de infância, o texto problematiza visões naturalizantes e reafirma a criança como sujeito de direitos, inserida em contextos sociais, culturais complexos. No campo da formação docente, o artigo evidencia a necessidade de superar a dicotomia entre teoria e prática, defendendo a práxis como unidade dialética fundamental para a atuação crítica dos professores. Também são analisados os processos de desvalorização da docência na Educação Infantil, associados à feminização da profissão e ao mito da educadora nata, que obscurecem seu caráter profissional e intelectual. Por fim, o texto defende a construção de práticas pedagógicas fundamentadas, críticas e comprometidas com o desenvolvimento das crianças, reconhecendo a docência como espaço de produção de conhecimento, mediação cultural e transformação social.
Este artigo analisa as percepções, crenças e experiências de professores dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio sobre a educação política na escola. O estudo tem como objetivo compreender como esses docentes avaliam a relevância e as condições de implementação desse tema no cotidiano escolar. Adota-se uma abordagem quantitativa, com aplicação de survey seccional a 319 professores de escolas públicas de São Paulo, cujo instrumento foi previamente validado. Os dados foram examinados por estatística descritiva e comparativa. Os resultados indicam amplo reconhecimento da importância da educação política, sobretudo no ensino médio, mas revelam fragilidades em sua implementação, associadas à baixa formação continuada e ao limitado apoio institucional. Conclui-se que há distanciamento entre o currículo prescrito e o praticado, reforçando a necessidade de políticas de apoio e formação docente.
Esta pesquisa investiga a compreensão e o uso do dicionário por graduandos de Pedagogia de uma universidade federal, analisando sua relevância para a prática docente na Educação Básica. A problemática centra-se na carência de letramento lexicográfico na formação inicial, o que pode comprometer o uso do dicionário em todo o seu potencial. Fundamentado em autores como Biderman (2001) e Krieger (2019), o estudo adotou metodologia qualitativa, com aplicação de questionários a discentes do último período. Os dados, analisados à luz da BNCC (2017) e do referencial teórico, revelam uma lacuna formativa no uso crítico e criativo do dicionário. Conclui-se que é imperativa a inclusão de atividades sistemáticas de letramento lexicográfico, como a produção de glossários e a exploração de dicionários digitais e impressos. Tal fortalecimento é essencial para garantir uma mediação pedagógica consistente e a ampliação lexical dos alunos no processo de alfabetização.
O presente trabalho tem como objetivo identificar aspectos ligados à leitura de livros de literatura relatados por três professoras alfabetizadoras em dois momentos distintos: como estudantes e como docentes. Tem como problemática interrogar como essas experiências com a literatura, ao longo de suas trajetórias familiares, escolares e profissionais, afetam modos como elas interpretam e se apoderam da leitura literária, em sala de aula. Estudos ligados à história cultural e ao ensino da literatura na escola colaboram para a compreensão de que a formação dos leitores em literatura se faz nos modos – errantes, diversos, modelares - aprendidos e ensinados em determinadas comunidades (principalmente a escola), onde as práticas e representações da leitura se inscrevem, sendo responsáveis por “educar” e formar os leitores, os quais participam delas como alunos ou professores.
A formação de professores de Matemática para atuar com estudantes surdos demanda atenção a múltiplas necessidades formativas, incluindo o domínio da LIBRAS, a elaboração de atividades significativas, a condução do trabalho dos alunos e a avaliação efetiva. A prática da LIBRAS em sala de aula apresenta desafios, tanto para docentes em formação quanto para professores regentes, especialmente diante da complexidade da linguagem matemática e da necessidade de comunicação específica. Estudos indicam que a carência de profissionais qualificados compromete a inclusão, evidenciando lacunas entre teoria e prática. A avaliação do aprendizado dos professores em LIBRAS é fundamental para identificar defasagens, orientar intervenções formativas e aprimorar a mediação do ensino. Além disso, o desenvolvimento de estratégias que integrem teoria e prática favorece a aprendizagem significativa e promove a participação plena dos alunos surdos. O fortalecimento dessas competências contribui para uma prática pedagógica inclusiva, crítica e de qualidade.
Este ensaio discute a avaliação educacional como prática diagnóstica, formativa e cuidadora, em contraste com seu uso burocrático e instrucionista. Objetiva interpretar criticamente como a avaliação tem sido concebida e operacionalizada na escola, sobretudo quando se distancia da aprendizagem. Caracteriza-se como ensaio teórico-interpretativo, de abordagem qualitativa, orientado pela perspectiva reconstrutiva de Demo (2001) e articulado à análise bibliográfica e documental de dados públicos do ENEM 2024 e do Ideb 2023. O diagnóstico é compreendido em sentido pedagógico, como mapeamento processual, contextual e revisável das aprendizagens, destinado a orientar decisões e intervenções, sem patologizar dificuldades, diferenças ou erros. A análise evidencia a dissociação entre avaliação e aprendizagem e sustenta a centralidade do acompanhamento docente, das devolutivas, da reescrita, da autoria e dos registros processuais. Conclui-se que avaliar para cuidar significa transformar evidências em reorganização do trabalho pedagógico e em novas possibilidades de aprendizagem, inclusive diante dos desafios do mundo digital e da Inteligência Artificial.
Fundamentado na concepção de linguagem do Círculo de Bakhtin e em estudos sobre educação antirracista, o artigo analisa uma intervenção pedagógica em aulas de Língua Portuguesa, com alunos do 2º ano do Ensino Médio de uma escola pública do sertão paraibano, baseada na produção do gênero conto. De abordagem qualitativa e interpretativa, a investigação teve como corpus 11 contos produzidos pelos alunos durante a pesquisa de campo realizada. Os resultados sugerem que o trabalho sistemático com a educação antirracista, por meio da produção do referido gênero, se mostrou propício ao desenvolvimento de uma postura reflexiva diante das relações sociais e de uma compreensão da linguagem enquanto prática de interação e de ação social. A experiência analisada sugere que uma proposta de trabalho que alia a abordagem dialógica e a educação antirracista em aulas de Língua Portuguesa pode contribuir à formação de alunos capazes de produzir discursos responsivos a problemáticas sociais.
Este trabalho visa analisar uma experiência no Programa Institucional de Bolas de Iniciação à Docência, à luz da pedagogia histórico-crítica e da perspectiva crítico-superadora, buscando compreender como o fazer docente se constituiu na relação entre teoria e prática e dentre a singularidade do percurso de onze meses de atuação em uma escola pública da região central do Rio Grande do Sul. Através de uma abordagem qualitativa, pautada no relato das experiências no Projeto da Educação Física, acionamos os planos de aula, anotações informais e os relatórios produzidos como fonte de dados e caminho reconstituir as memórias de atuação no programa. O processo de triangulação nos levou a compreender que nessa trajetória as teorias que compartilham um compromisso com a justiça social se interseccionam, se ressignificam e constituem um ‘guia’, tanto na orientação político-pedagógica quanto para a materialização de processos de aprendizagem críticos e coletivos.
O artigo investiga o crescimento da oferta da educação a distância no ensino superior brasileiro. O problema de pesquisa decorre da seguinte questão: considerando as duas legislações educacionais mais recentes que regulam a Educação à Distância (EaD) na educação superior (2017 e 2025), o Estado é capaz de conter a precarização da formação superior por meio de mudanças na legislação educacional? Objetiva-se analisar as dinâmicas subjacentes ao novo marco da EaD, especialmente no que se refere aos avanços e retrocessos relacionados aos processos de flexibilização e privatização do ensino superior. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e documental, de abordagem qualitativa, cujos documentos foram examinados por meio da metodologia da Análise de Conteúdo. Os resultados indicam que o novo marco legal da Educação à Distância (EaD) mantém a flexibilização e a privatização como elementos estruturantes da oferta do ensino superior no Brasil.
O artigo aborda as tendências de estudos sobre a didática com o objetivo de compreender como a Didática é concebida nas pesquisas acadêmicas e quais tendências formativas se articulam às finalidades da docência. O estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura e considera as teses e dissertações do Catálogo da CAPES, artigos indexados no Portal Educ@ e nos anais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), entre 2006 e 2025. A partir das análises, foram identificadas três categorias: a didática como estruturante no processo de formação do professor; a relação entre a Didática e as finalidades da docência na formação inicial; e a Didática na articulação entre teoria e prática. Os resultados evidenciam a necessidade de fortalecer a Didática como categoria político-epistêmica, condição para uma formação docente crítica e socialmente referenciada.
Este artigo propõe uma Educação em Ciências ancorada no corpo-natureza, nos afetos e nos atravessamentos sensíveis da Floresta Amazônica. Inspirado por conceitos como transversalidade, devir, natureza naturante-naturada e pedagogia da escuta, o escrito parte de vivências com grupos de pesquisa e encontros-experimentações para defender uma docência que pulsa com a vida, em comunhão com humanos e mais-que-humanos. O banzeiro, como vida de movimento e transformação, guia uma escrita que é, também, reexistência, que foge do ensino tradicional e se engaja em uma estética e ética do sentir. Na floresta, entre sons, cheiros e toques, o docente se bioinstrumentaliza e se torna um corpo vibrátil, contaminado, híbrido, rizomático. Assim, emerge um “nós-floresta”, uma prática educativa que não ensina sobre a natureza, mas com ela, em uma constante criação de mundos possíveis, afetivos e interligados.
A ciência ocidental, com sua ênfase na experimentação controlada e na objetividade, trilhou um caminho distinto dos saberes ancestrais indígenas, arraigados em contextos específicos. Historicamente, essa dicotomia gerou um distanciamento entre esses dois campos de conhecimento. Diante disso, este estudo se propôs a mapear e analisar as discussões presentes na literatura acadêmica sobre experimentação e saberes indígenas, buscando compreender as perspectivas e reflexões que emergem dessa intersecção. A metodologia empregada foi a revisão sistemática de literatura, para coletar dados qualitativos e analisá-los sob a ótica da análise textual discursiva. A partir dessa análise, concluiu-se que a abordagem intercultural traz diversos benefícios para o ensino de ciências, como a contextualização dos conhecimentos, a formação crítica e cidadã, a pluralidade de ideias e a superação de ideias distorcidas sobre a ciência, promovendo uma educação mais emancipadora, com maior equidade e que valoriza a diversidade.
O presente texto busca problematizar os processos de criação expressiva, ou, ainda, a “escrita” das pesquisas de acadêmicos indígenas que são construídas em relação de coplanaridade com suas práticas próprias de conhecimento. O método adotado articula a etnografia dos processos expressivos de Itsairu Huni Kuin, pesquisador da Licenciatura indígena da Universidade Federal do Acre (UFAC) – Campus Floresta, com a abordagem bibliográfica de três autores que discutem o seu pensamento visionário. O resultado é a apresentação de uma escrita própria à pesquisa acadêmica huni kuin que, em lugar de registrar, faz atualizar as práticas de conhecimento huni kuin. Conclui-se que essa escrita pressupõe uma outra concepção de linguagem, baseada na ontologia relacional dos povos amazônicos, em que as relações políticas e sociais não conhecem os limites entre natureza e cultura.
Longe de um processo linear ou concluso, a formação docente é compreendida como prática social e histórica, marcada por contradições e pela necessidade de transformação da realidade educativa. A metodologia dos Três Momentos Pedagógicos (Delizoicov, 1980) configura-se como fundamento teórico-metodológico para propor durante o estágio curricular supervisionado nos cursos de Pedagogia, novas formas de organização do trabalho pedagógico do professor em formação. Ancorada na pedagogia crítica freireana e na perspectiva histórico-cultural, essa abordagem sustenta a práxis como unidade entre reflexão e ação, mobilizando o licenciando a investigar, problematizar e intervir no contexto escolar. A pesquisa, de natureza qualitativa e descritivo-analítica, toma como corpus, experiências de docência desenvolvidas em estágios supervisionados. Os resultados indicam que o trabalho pedagógico organizado a partir dos Três Momentos Pedagógicos potencializa processos reflexivos, favorece a autoria docente e consolida a docência como prática investigativa, ética e emancipadora.
Este artículo explora cómo la experiencia directa de paisajes naturales reconfigura la percepción del yo y activa una reconexión profunda con el mundo vivo. Se busca analizar cómo estos vínculos vividos permiten desactivar la insensibilización frente a la crisis ecológica y fomentan una conciencia ecológica encarnada. Para ello, adoptamos una metodologia cualitativa, teórico-fenomenológica, que combina revisión bibliográfica con narrativas de campo obtenidas en Brumadinho (Minas Gerais, Brasil), escenario de un ecocídio. A la luz de la ecología profunda, la fenomenología del cuerpo y los ensamblajes multiespecie, analizamos cómo el contacto directo con estos entornos propicia identificación, aprendizaje somático y responsabilidad interespecie. Los resultados muestran que la percepción sensible del entorno inspira acciones ético-políticas en defensa del planeta. En conclusión, una educación ecosófica basada en el cuerpo y el arte constituye una vía transformadora clave para reconstruir nuestra relación con la naturaleza desde una sensibilidad activa y comprometida.
O artigo discorre acerca de uma investigação que articula uma prática artística com o conceito de ecosofia de Félix Guattari a partir da seguinte pergunta: o que podemos aprender com o rio? Uma memória, um ensinamento, a relação da palavra com a imagem pela busca de um saber-rio. Trata-se de uma escrita que procura visualizar uma pesquisa de doutorado em Artes Visuais em retrospecto, o que não consiste em uma revisão, mas um retorno ao texto para pensar dele, o que escapa da pesquisa acadêmica e conflui com o modo de viver em sociedade e com o meio ambiente. Abordar o rio pela perspectiva ética, estética e política sugerida pelo filósofo é, também, um modo de produção de subjetividade que busca saídas para as crises de nossa época. Autores como Gilles Deleuze, Suely Rolnik, Ailton Krenak e Paola Zordan colaboram com o risco de propor uma pedagogia do rio.