
A desigualdade racial tem sua origem no funcionamento da economia de plantação do período colonial e ainda pode ser percebida no mercado de trabalho atual. Na Região Metropolitana de São Paulo, as informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) mostram que a taxa de desemprego dos negros, de 19,2% em 2018, é tradicionalmente mais elevada do que a dos não negros. Sua inserção ocupacional costuma ocorrer em postos com qualificação e rendimentos mais baixos do que os dos não negros. Apesar do importante aumento do nível de escolaridade, a proporção de ocupados negros com nível superior é equivalente a menos da metade da participação dos não negros e os diferenciais por raça/cor dos rendimentos de quem possui esse nível de ensino são os maiores.
A população negra, maioria na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA), enfrenta importantes barreiras para efetivação de direitos básicos. Dessa forma, considerar o intercruzamento das diretrizes e políticas de educação, saúde, alimentação e relações étnico-raciais é primordial para orientar as práticas educativas no âmbito escolar. O objetivo do estudo foi caracterizar estudantes de uma escola municipal de Macaé quanto a características socioeconômicas e alimentares e apresentar as oficinas de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) direcionadas a esse público. Os estudantes apresentaram majoritariamente idade entre 20 e 59 anos (47,5%), seguido de 10 a 19 anos (46,7%). Cerca de 45% dos estudantes se autodeclarou preto. Observou-se o potencial da EAN para valorizar as refeições escolares e as práticas culinárias para a promoção da alimentação adequada e saudável.
Embora a produção acadêmica sobre implementação de políticas públicas ainda seja incipiente, se comparada à literatura sobre agenda, formulação e avaliação, esta etapa é tida como central neste trabalho, dado seu importante papel no alcance dos resultados esperados. Este artigo busca sistematizar referências sobre implementação de políticas públicas em geral com destaque para o campo educacional. Para tanto, a temática da implementação de políticas públicas é, situada no campo, de acordo com a literatura, enfocando o papel dos diferentes agentes de implementação. Em seguida, alguns modelos de análises são descritos, com destaque para o modelo que Michael Fullan desenvolve para a análise de implementação de políticas educacionais. A revisão da literatura evidenciou a necessidade de ampliação de estudos sobre esta fase da política pública, em especial no campo educacional.
Este artigo propõe um debate sobre o uso da etnografia e de outras metodologias participativas na condução de pesquisas com crianças, com base em questões que compõem um jogo de cartas. Fazer pesquisa com a participação de crianças implica encarar os desafios éticos, teóricos e metodológicos que pesquisadores enfrentam quando se dispõem a ouvir as crianças e a considerar seus pontos de vista e suas ideias. Tendo como ponto de partida essas questões, propomos um jogo de cartas colaborativo no qual os caminhos são definidos quando as chamadas “cartas-problemas” são apresentadas, seguidas pelas “cartas-palavras”, que trazem “problemas” a serem enfrentados nas investigações com crianças. Os problemas sugeridos pelo jogo incluem a submissão das pesquisas aos comitês de ética, os assentimentos e os consentimentos e o reconhecimento do nosso adultocentrismo enquanto pesquisadores e propositores dos temas de pesquisas. Por fim, propomos abordar o adultocentrismo, um ponto que pode afetar a condução, análise e divulgação das pesquisas com crianças.
Neste artigo são analisados os dados produzidos pelo Saeb para a rede estadual do Acre, comparando o que mudou nos perfis de diretor e professor entre as edições de 1999 e 2011. Além disso, por meio da construção de um modelo de regressão, três categorias sociológicas fundamentais (classe, raça e gênero) têm estimados seus efeitos sobre o desempenho dos alunos, a fim de estabelecer se houve ou não promoção da equidade no período analisado.
Em seu amplamente divulgado artigo “Por dentro da caixa-preta”, Black e Wiliam demonstraram que melhorar a qualidade da avaliação formativa eleva o desempenho dos estudantes. Agora, eles e seus colegas reportam os resultados de um projeto que se seguiu ao primeiro com o intuito de ajudar professores a mudarem suas práticas e os estudantes a mudarem seu comportamento para que todos compartilhem a responsabilidade pelo processo de aprendizagem.
Este artigo apresenta algumas notas para uma discussão sobre a interpretação e narrativa histórica em torno da escrita da história da África contemporânea. A proposta se vincula a um debate no interior da proposição de uma “Africanidade global” apresentada por historiadores e historiadoras dedicadas ao estudo desse campo. Ainda como um conceito emergente, o que se configura como “Africanidade global” é uma espécie de genealogia da experiência das populações africanas e seus descendentes no espaço da diáspora. A proposta insere e articula as diferentes motivações, contextos e consequências das diásporas africanas na longa duração e em sua diversidade. Pretende-se contribuir com esse debate junto à introdução de aspectos teóricos e metodológicos que balizam o cenário contemporâneo da discussão historiográfica contemporânea da leitura de novos aportes à historiografia africana.
O artigo discute a história ignorada por Hannah Arendt no ensaio “Reflexões sobre Little Rock”. Após a determinação da Suprema Corte norte-americana para integrar crianças negras e brancas nas mesmas escolas, o governo e parte da população na cidade de Little Rock bloquearam violentamente o acesso dos negros a uma escola comum. Nesse contexto, uma jovem negra foi fotografada enquanto era hostilizada por uma horda de pessoas brancas e impedida de entrar na escola. A partir dessa fotografia, Arendt escreve um de seus primeiros textos em que aborda o tema da educação. Com base nas referências bibliográficas que analisam o período histórico em questão, objetiva-se narrar uma outra história, invisibilizada por Arendt. O texto problematiza se a pensadora, antes de analisar a dessegregação racial nas escolas, dialogou com a história dos negros norte-americanos. Por fim, conclui-se que a educação é um espaço de luta contra a invisibilidade, contra o perigo de contar uma única história às crianças e aos jovens.
Nilma Lino Gomes é professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), uma das maiores estudiosas das relações raciais no Brasil e autora de diversas obras sobre educação, com foco nas relações étnico-raciais e de gênero. Foi a primeira mulher negra brasileira a ocupar o posto de reitora de uma universidade federal, ao assumir o comando, entre 2013 e 2014, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab). Durante o governo Dilma, deixou o cargo para tomar posse, no início de 2015, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e, posteriormente, do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos (MMIRDH)1, em outubro de 2015, onde ficou até o ano seguinte.
Este artigo tem como objetivo realizar um diálogo com as pesquisas, dissertações e teses, que por meio de uma análise de currículos propuseram identificar como a temática da educação das relações étnico-raciais se faz presente na formação inicial, especificamente nos cursos de Pedagogia, tendo como base legal a implementação da lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura AfroBrasileira na Educação Básica. No processo de análise das pesquisas procuramos identificar quais foram os maiores desafios e oportunidades encontrados para implementação do tema, seja por meio de disciplina obrigatória, seja optativa, transversal etc. Esse levantamento se faz relevante uma vez que, considerando o currículo como um campo de disputa, a compreensão desse movimento dentro da formação docente influencia consideravelmente as possibilidades de avaliação e estratégias para o sucesso na implementação da lei.
Com sensibilidade e firmeza, a autora nos conduz ao universo das pessoas de origem negra que, no Brasil, desde a tenra idade, experimentam situações dúbias de afirmação da identidade que ajudam a compor o racismo à brasileira. Portadora de uma linguagem ágil e visceral, a autora vai desvelando com lucidez as diferentes facetas do racismo que permeiam desde as relações familiares, principalmente nas famílias miscigenadas, em que há uma variedade de tonalidades de pele, tipos de cabelos e traços físicos, até as relações sociais mais amplas, coalhadas de estigmas, preconceitos e discriminações.
Analisa-se a arquitetura temporal de duas escolas públicas municipais paulistanas localizadas em território socialmente vulnerável, uma das facetas relativas à equidade na educação. O estudo qualitativo, com inspiração etnográfica, focalizou turmas de 3º ano do Ensino Fundamental dessas escolas. Concentrou-se no manejo do tempo diante das determinações legais, especificamente naquele atribuído às aulas e ao ensino de língua portuguesa. Os resultados indicam dissemelhanças perante o estabelecido por essa rede municipal de ensino, o que denota desigualdade na distribuição de oportunidades educativas. Tendo em vista o que a literatura aponta sobre a distribuição de conhecimento escolar, em que alunos provenientes de meios mais desfavorecidos possuem desvantagens, a gestão do tempo tende a ser fundamental tanto na distribuição de oportunidades para todos realizarem aprendizados estabelecidos quanto no enfrentamento das desigualdades educacionais, que reproduzem desigualdades socioespaciais.
O presente artigo é resultado de uma pesquisa de mestrado realizada com estudantes autodeclarados negros ingressantes na Universidade Federal de São Carlos por meio de um programa de ações afirmativas de reserva de vagas. Tal pesquisa teve como objetivos identificar processos educativos originados na vida universitária que contribuem ou prejudicam a construção e o fortalecimento da identidade negra e do pertencimento étnico-racial de raiz africana junto a tais estudantes, além de apontar sugestões que contribuam com o Programa de Ações Afirmativas da UFSCar na busca de estratégias de combate ao racismo. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas com três estudantes autodeclarados negros, duas mulheres e um homem, de diferentes cursos.
Qual é o lugar que os temas afro-brasileiros e/ ou africanos têm ocupado no campo da produção de conhecimentos científicos? No âmbito institucional, quem são os atores que têm fomentado a sua produção? Quais são os temas de pesquisas mais recorrentes em relação a essas questões e quais são as lacunas? Diante dessas perguntas, o presente trabalho examinou as dissertações e teses produzidas nos Programas de Pós-Graduação da Universidade Federal de Juiz de Fora, desde a sua implantação até o ano de 2018, sobretudo aquelas relacionadas aos temas mencionados. Para compreender tal produção, foi utilizado o conceito de campo científico, entendido como espaço de concorrência estruturada, em que a ciência é produzida, o qual é ocupado pelas instituições e seus agentes, de acordo com o seu volume de capital científico político e simbólico, fator que interfere nos processos de produção da ciência, como os temas de pesquisa a serem privilegiados.
Os saberes e conhecimentos das comunidades tradicionais quilombolas do Vale do Ribeira (SP) tem como base a transmissão geracional por meio da tradição oral, mantida pela memória, história e etnicidade. Tais conhecimentos permitem uma releitura dos saberes, usos e práticas que estão interligados a uma cosmovisão étnico-territorial ancestral, enquanto propositores de uma práxis revolucionária, pela segurança e autonomia à vida em territórios coletivos. A compreensão sobre a temática quilombola implica não descontextualizar o processo de resistência histórico, socioeconômico, político, cultural, ambiental e epistêmico, da dominação colonial e capitalista global. Os conhecimentos das comunidades quilombolas propõem mudanças e reflexões críticas visando a emancipação humana.
Este artigo analisa como se dão as trocas de escola por alunos do Ensino Fundamental da rede municipal de São Paulo, a fim de dimensionar as relações de interdependência competitiva entre escolas — compreendidas como as trocas que realizam entre si de alunos originalmente nelas matriculadas. Dados de matrícula para os anos entre 2008 e 2013 foram submetidos a três procedimentos de análise: o exame de taxas de rotatividade de alunos; a estimação da probabilidade de discentes saírem de uma escola e irem para outra por meio de painel dinâmico; e a exploração de redes sociais de escolas, por meio de modelos de Poisson. Os resultados mostram que não se identificam, na escala intrarrede, relações de interdependência competitiva, e que a setorização da matrícula, em um contexto marcado pelas desigualdades socioespaciais, como o de São Paulo, pode estar acentuando a segregação escolar ao concentrar em suas unidades populações com características sociodemográficas que tendem à homogeneidade, uma vez que alunos que moram em regiões mais vulneráveis acabam por estudar em escolas localizadas em áreas também mais vulneráveis.
Este trabalho tem por objetivo mapear os livros de literatura infantil no ensino da matemática inclusiva do 1º ano do ensino fundamental do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) de 2013-2015. Realizamos a leitura na íntegra de todos os livros e fizemos fichamentos buscando trazer uma reflexão sobre a prática da literatura infantil como recurso metodológico. Ao realizarmos as leituras das obras, identificamos três categorias: livros com rimas; livros que apresentam linguagem não verbal e livros sobre o meio ambiente. Percebemos a importância da literatura infantil para o ensino-aprendizagem dos alunos e como pode ser utilizada como recurso metodológico.Palavras-chavesLiteratura infantil. Ensino. Matemática e inclusão. Inclusive Mathematics Education in Books of the First Year of Primary Education in the PNAICAbstractThis work aims to map the books of children’s literature for the teaching of inclusive mathematics in the first year of primary education that are listed in the National Pact for Literacy at the Right Age (PNAIC) from 2013- 2015. We read all the books listed and took systematic notes on each of them in order to propose a reflection on children’s literature as a methodological resource. By reading the works, we identify three categories: books with rhymes; books which present non-verbal language; and books on the environment. We realized the importance of children’s literature for teachinglearning and how it can be used as a methodological resource.KeywordsChildren’s literature. Teaching. Mathematics and inclusion. La educación matemática inclusiva en libros del 1.er año de la enseñanza básica en el Pnaic ResumenEste trabajo tiene como objetivo mapear los libros de literatura infantil en la enseñanza de las matemáticas inclusivas del 1.er año de la enseñanza básica del Pacto Nacional por la Alfabetización a la Edad Adecuada (Pnaic) de 2013-2015. Realizamos una lectura completa de todos los libros e hicimos fichas bibliográficas con el fin de suscitar una reflexión sobre la práctica de la literatura infantil como recurso metodológico. Al leer las obras, identificamos tres categorías: libros con rimas, libros que presentan un lenguaje no verbal y libros sobre el medioambiente. Percibimos la importancia de la literatura infantil para la enseñanza-aprendizaje de los alumnos y cómo puede utilizarse como recurso metodológico.Palabras claveLiteratura infantil. Enseñanza. Matemáticas e inclusión.
Até o ano de 2016, o Programa Mais Educação (PME) subsidiava o desenvolvimento de atividades de educação integral nos estados e municípios brasileiros. Considerando-se a quase uma década de vigência do Programa e a proposição, em 2014, da meta de atendimento de 50% das escolas públicas e de 25% de seus estudantes em tempo integral no Brasil no Plano Nacional de Educação (PNE 2014-2024), objetiva-se apresentar neste artigo um retrato da incidência do PME nas escolas públicas estaduais e municipais de ensino fundamental do estado de Minas Gerais no primeiro ano de vigência do PNE. Embora tenha alcançado êxito no que tange à ampliação de atendimento em oito dos seus nove anos de vigência, observa-se atualmente uma queda nas matrículas na educação integral. Uma realidade que pode se agravar a partir da reformulação do Programa, que passou, em 2016, a denominar-se Novo Mais Educação (PNME).Palavras-chaveEducação integral. Programa Mais Educação. Programa Novo Mais Educação. Plano Nacional de Educação. The More Education Program and the PNE: The Representative Case of Minas GeraisAbstractUntil 2016, the More Education Program (Programa Mais Educação - PME) supported full-time education activities in Brazilian states and municipalities. The program has been in place for nearly a decade and, in 2014, the National Education Plan (PNE 2014-2024) proposed to make fulltime education available for 50% of public schools and 25% of their students in Brazil. In the light of these facts, the present article aims to present a portrait of the PME’s incidence in public state and municipal schools in the state of Minas Gerais for the first year that the PNE has been in place. Although it was successful with regards to expanding offer for eight of its nine years in place, today there is a decrease in full-time education enrollments. This situation can be aggravated by the reformulation of the program, which was renamed the New More Education Program (Programa Novo Mais Educação - PNME) in 2016.KeywordsFull-time education. More Education Program (Programa Mais Educação). New More Education Program (Programa Novo Mais Educação). National Education Plan.
As carreiras dos professores de Chicago exibem movimentações “horizontais” entre cargos em um mesmo nível da hierarquia escolar, em termos de configuração dos problemas profissionais básicos apresentados por cada cargo, mais do que movimentações verticais entre vários desses níveis. Um grande padrão de carreira consiste em mudar-se da escola de classe baixa, onde as carreiras geralmente começam; outro padrão consiste em adaptarse, ao longo de um período de anos, aos problemas de tais escolas. Uma vez estabelecido em uma escola, o professor pode ser perturbado por mudanças relacionadas à estrutura da vizinhança ou ao pessoal administrativo com quem ele lida. Palavras-chave Carreira docente. Movimentação docente. Desigualdades socioespaciais. Relações étnico-raciais. The career of the Chicago public schoolteacher Abstract The careers of Chicago teachers exhibit “horizontal” movement among positions at one level of the school-work hierarchy in terms of the configuration of the occupation’s basic problems presented by each rather than vertical movement between several such levels. One major career pattern consists in moving from the lower-class school in which careers usually begin; another consists in adjusting, over a period of years, to the problems of such schools. Having settled in a school, the teacher may be upset by changes in neighborhood structure or in the administrative personnel with whom she deals. Keywords Teaching career. Teacher movement. Socio-spatial inequalities. Ethnic-racial relations.
ResumoO presente artigo teve como principal objetivo investigar como a utilização da linguagem de programação Scratch pode contribuir para o aprendizado das áreas de figuras planas. O estudo baseia-se em autores como Valente (1998), Murari (2012), Borba e Penteado (2012) e Correia (2013), que explicitam sobre a importância das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) para o ensino de matemática e, de modo particular, o uso do Scratch. A pesquisa de cunho exploratório, numa abordagem qualitativa, foi realizada com 27 alunos da turma do 9º ano A de uma escola estadual na cidade de Maceió - AL, com dados coletados por meio de atividades propostas e questionário respondido pelos alunos. Constatou-se o interesse dos alunos pelo Scratch para desenvolver atividades sobre áreas de figuras planas, aprendendo com seus erros e desenvolvendo a criatividade e a capacidade de raciocínio.Palavras-chaveÁreas de figuras planas. Scratch. Aprendizagem matemática. The Scratch in Mathematics Classes: Possible Ways for Teaching the Area Flat Shapes AbstractThe main goal of the present paper is to investigate how using the Scratch programming language can help students learn to determine the area of flat shapes. The study is based on authors such as Valente (1998), Murari (2012), Borba and Penteado (2012) and Correia (2013) who explain the importance of Digital ICT (Digital Information and Communications Technologies) for the teaching of mathematics, particularly the use of Scratch. We used a qualitative and exploratory approach with 27 students in a ninth grade class at a state school in Maceió, the capital of the state of Alagoas. We collected data through activities proposed to and a questionnaire responded by the students. The students showed an interest in Scratch for activities involving the areas of flat figures, thus learning from their mistakes and developing both creativity and reasoning skills.KeywordsAreas of flat figures. Scratch. Mathematics learning. Scratch en las clases de matemáticas: caminos posibles en la enseñanza de las áreas de figuras planas ResumenEl presente artículo tuvo como principal objetivo investigar de qué forma la utilización del lenguaje de programación Scratch puede contribuir al aprendizaje de las áreas de figuras planas. El estudio se basa en autores como Valente (1998), Murari (2012), Borba y Penteado (2012) y Correia (2013), que inciden en la importancia de las Tecnologías Digitales de la Información y la Comunicación (TDIC) para la enseñanza de las matemáticas y, en particular, el uso de Scratch. La investigación, de carácter exploratorio y enfoque cualitativo, se llevó a cabo con 27 alumnos de la clase del 9.º año A de una escuela estatal de la ciudad de Maceió (Alagoas), y los datos se recogieron mediante actividades propuestas y cuestionarios respondidos por los alumnos. Se constató el interés de los alumnos por el Scratch para desarrollar actividades sobre áreas de figuras planas, con las que aprendieron de sus errores y desarrollaron su creatividad y capacidad de razonamiento.Palabras claveÁreas de figuras planas. Scratch. Aprendizaje matemático.