
O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) gesta diversos projetos educacionais: Alimentação Escolar (1), Livro Didático (2), Dinheiro Direto na Escola (3), Biblioteca da Escola (4), Transporte do Escolar (5), Caminho da Escola (6), Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil (7), em mais de 5 mil municípios. O Café do Conhecimento - CdC – é um evento no FNDE que congrega diversos atores sociais em torno de uma agenda de políticas educacionais. Esse ambiente possibilita a disseminação de conhecimento e de experiências entre indivíduos de diversas áreas da sociedade. O objetivo do trabalho é descobrir como foram as interações e sentidos compartilhados na última edição digital do evento na construção de uma agenda de política educacional. Para isso, utilizou-se de 5 categorias de análise (Expressão, Comunicação, Autonomia, Efetividade, Evento, Diálogo Possível) para checar a proposta de um evento híbrido, não muito convencional na Administração Pública Federal. Trata-se de uma pesquisa exploratória, estudo de caso, com survey aplicada a 86 respondentes. Os resultados mostram que o formato foi vitorioso, em sentido estratégico. Mas que faltam ajustes operacionais de acesso do usuário para vencer alguns obstáculos na execução do evento.
História do Cerco de Lisboa (1989) é um dos romances mais complexos de José Saramago, desdobrando-se (desenvolvendo-se) em dois tempos históricos: Idade Média, a conquista de Lisboa aos mouros em 1147 pelo primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, com a ajuda de cruzados do Norte da Europa, baseando-se em fontes coevas, cristãs e árabes, e a atualidade. Nesta, um revisor de livros, Raimundo Silva, interpõe um NÃO num ensaio académico sobre o tema, desmentindo assim o facto histórico da ajuda do exército cruzado na conquista de Lisboa. Duas histórias de amor, uma medieval, outra atual, conferem um envolvimento lírico ao romance. Saramago intenta transmitir a mensagem de que Portugal deve contar apenas com as suas forças e os seus recursos e não ficar subordinado a forças estrangeiras.
Este artigo investiga, por meio da Análise de Discurso de linha francesa, formações imaginárias e discursivas em produtos jornalísticos e literários aqui compilados. A problemática central explorada reside no entendimento de que a mídia possui papel ativo, embora não exclusivo, na criação do “discurso da seca”, sendo uma das responsáveis por encerrar o nordestino (no restritivo singular) em um conjunto de falas e imagens já conhecidas. Também a literatura é importante agente deste processo. Embora o paradigma da objetividade ainda seja aludido pela imprensa, com recorrente argumento de que tal fazer é completamente distinto do fazer ficcional, os profissionais não deixam de operar construções. O, por isso, instigante diálogo entre mídia e literatura é o ponto de partida para a constituição do corpus de pesquisa. Personagens de Raquel de Queiroz, Ariano Suassuna e Euclides da Cunha são os guias na busca por homens e mulheres reais que discursivamente ora se aproximam ora se distanciam do retirante Chico Bento, do amarelo astuto João Grilo e do “forte”, porém “desgracioso, desengonçado e torto” (nas palavras de Euclides) morador do sertão. Conclui-se neste breve estudo que, apesar do encarceramento muitas vezes promovido, o jornalismo é capaz de fomentar novas visibilidades e dizibilidades (ALBUQUERQUE JR., 1994) de sujeitos plurais.
O ano de 2020 certamente ganhará relevantes contornos da história recente em função da pandemia da Covid-19. A partir de um trabalho exploratório e bibliográfico aqui efetuado, o objetivo do presente artigo é compreender aspectos do uso e consumo de ferramentas como o Zoom, sobretudo no que tange aos usos e consumos excessivos dessas plataformas online de comunicação. Propõem-se aqui uma análise teórica e crítica sobre os desdobramentos da pandemia em novos modos de ser e de consumir que se reconfiguraram e se aceleraram em tempos de isolamento social radical. Em busca uma melhor compreensão e análise de novos modos de ser e consumir que vieram à tona e se intensificaram em função de medidas de lockdown, quarentena e isolamento social compulsório de famílias brasileiras durante a pandemia, analisou-se nesse artigo o que denominamos com o neologismo ZoomMania, um fenômeno global de adoção de uma nova ferramenta online. Viu-se que as relações de consumo devem se reconfigurar, além do modo como nos relacionamos com outras pessoas, como trabalhamos e como aprendemos, também deverão revelar importantes questões sobre esses novos arranjos comunicacionais que se apresentaram.
O livro 1984 foi publicado pelo autor George Orwell em 1949, e ao longo dos anos tornou-se uma das obras mais influentes do modernismo, atuando de maneira atemporal. A obra serve de crítica à sociedade e às políticas impostas tanto pela indústria cultural quanto pelo cenário político. Esta pesquisa tem como objetivo analisar o monitoramento da sociedade empreendido pelo Grande Irmão, contrapondo-o com as diferentes ferramentas que as mídias sociais atuais utilizam para monitorar as atividades de seus usuários. Para isto, foi realizada uma abordagem de cunho bibliográfico e analítico, com suporte teórico parte das discussões de Theodor W. Adorno e Max Horkheimer sobre a indústria cultural (1995) e o conceito de distopia de Teixeira Coelho (1980), bem como a aplicação de um questionário realizado com 170 entrevistados através do Google Forms.