Resumo A escrita acadêmica exige a capacidade de captar as ideias principais das fontes através de uma linguagem própria. Um dos problemas que tem sido identificado em estudantes universitários, sobretudo nos principiantes, diz respeito à forma deficiente como escrevem, traduzida em textos colados aos originais, facilmente considerados como tendo sido plagiados. O objetivo principal do presente estudo foi o de identificar as estratégias usadas pelos estudantes universitários ao redigir textos. Foi solicitado a 44 estudantes que escrevessem uma síntese com as ideias principais de um artigo que haviam lido previamente. As composições foram classificadas por duas professoras de português, de acordo com as estratégias usadas: cópia sem citação; cópia com citação; mosaico; paráfrase; sumário. Essa avaliação confirmou que os estudantes recorrem com muita frequência à cópia e ao mosaico, acompanhando de perto a linguagem do original, aproximando-se daquilo que poderia ser classificado como plágio. Foi, ainda, detectado que, muito frequentemente, os estudantes alteram o significado da fonte. O cálculo de correlações e a análise de clusters indicam que uma grande parte dos estudantes tende a adotar uma de duas estratégias: ou copiam, respeitando a fonte, ou escrevem de modo autônomo, mas alterando as ideias do conteúdo que leram. Os resultados encontrados permitem concluir que existem muitas dificuldades na escrita, o que chama a atenção para a necessidade de uma pedagogia que vise o desenvolvimento nos estudantes da sua identidade como autores, realçando que essa será uma alternativa desejável às medidas punitivas de combate ao plágio que atualmente têm se imposto no meio universitário.
A expressão das ideias das fontes, necessária à consolidação de uma voz própria e à construção da identidade autoral, requer a sua referenciação, requisito também essencial para uma escrita sem plágio. Este estudo teve por objetivos saber se estudantes do Ensino Superior conhecem regras de referenciação e, em simultâneo, se o que julgam saber corresponde à realidade. Para tal, foram aplicados a uma amostra de 208 estudantes universitários um Inventário de Conhecimentos de Normas de Citação e de Referenciação e uma escala sobre o que se julga saber sobre essas regras. Os principais resultados indicam que há um desconhecimento de como citar e referenciar, sobretudo pelos mais novos e pelos que têm mais dificuldades, ao mesmo tempo que apontam para um desfasamento entre o que se sabe e o que se pensa saber fazer, alertando para a necessidade de se investir em medidas pedagógicas promotoras das competências de referenciação e de escrita académica.
In the current communicational scenario, transformed by technological and digital advances, media literacy is considered a crucial competence for active and informed participation in society. In this context, the main objective of this study was to assess the media literacy competences of 416 students of the 4th, 6th, and 9th grades in Portugal, identifying training needs and presenting suggestions for intervention. A non-experimental quantitative methodology was used, and the participants completed a self-response questionnaire. The results indicate that the three grades studied have a transversal need regarding the use of media, the production of media content, and participation in society through the media, and also regarding the analysis, understanding, and assessment of media content. We confirm the importance of media education in the development of media literacy and present some intervention suggestions for the promotion of these competences in the school context, namely the reinforcement of some curricular content, the use of guiding documents, and the development of critical thinking. We emphasize the importance of training teachers and parents on the subject, and finally, we also emphasize the importance of deconstructing the belief that digital natives have natural competences in this regard and therefore do not need training in this area.
In aiming to frame plagiarism as an academic literacy issue, this paper focuses on the strategies used by firsts years Portuguese university students, when writing from sources, along with the relationship between these strategies and the way students view themselves as readers, writers and users of sources. The study was based on 44 short summary essays written by students as well as their responses to a questionnaire and checklist on citation rules. The evaluation of the essays revealed that students often use copying and patchwriting. In addition, we found that much of the time students changed the meaning of the content expressed in the source. In relation to the way students evaluated themselves, generally their view was they used appropriate strategies. The study did not reveal a relationship between perceptions of using appropriate strategies and the use of those same strategies. Nonetheless, we found an association between performance and perceptions of using copying. Perceived use of a ‘think-then-do’ strategy was also related to changing the meaning when writing from sources. Concerning school achievement, stronger students evaluated themselves as using more appropriate strategies, and those who had not previously failed (a) school year(s) also displayed a better knowledge of citation rules. However, we failed to find any relationship between school achievement and the use of strategies for writing from sources. The main findings of the current research point to the existence of issues concerning how to address academic literacy, findings that go beyond plagiarism and, consequently, indicate the need for pedagogical responses.
La presente obra constituye una guia teorico-practica actualizada de las competencias mediaticas e informaciones que necesitan los educadores para afrontar los retos que caracterizan la era post-COVID-19. Es un manual didactico pensado para este nuevo mundo donde irrumpe con fuerza la virtualizacion de las interacciones, acelerando la innovacion educativa en el confinamiento global, acentuando las desigualdades existentes y obligando al sistema educativo a reinventarse de manera urgente. Afrontar los retos que suponen la continua transformacion mediatica, la difusion de informaciones falsas sin control, el nuevo rol de los usuarios, multiple y cambiante, y la generacion de los personajes protagonicos de las redes, los influencers, entre otros aspectos, exige una formacion especifica que disminuya la brecha existente entre los procesos de ensenanza aprendizaje y los cambios que se estan dando en la sociedad. Asi, el presente curriculum aborda de una forma concreta y adecuada al perfil de los docentes las competencias que cualquier educador, independientemente del nivel y de la asignatura que imparta, deberia desarrollar para poder formar a su alumnado, atendiendo a los desafios que nos impone la sociedad digitalizada y lograr, de este modo, que se desenvuelva eficazmente en ella. Este texto es una obra colectiva, producto de investigaciones y experiencias de los miembros de Alfamed, Red Euroamericana de Investigadores en Educomunicacion. Desde una vision plural, multicultural y diversa, se ofrece un programa global de formacion de profesores en educacion mediatica que amplia y actualiza el Curriculum MIL Unesco para los retos pospandemicos de la tercera decada de este siglo. Participan un total de 22 investigadores de 12 paises de America y Europa (Espana, Ecuador, Bolivia, Chile, Mexico, Portugal, Italia, Colombia, Brasil, Venezuela, Costa Rica, Argentina. Indice: • Modulo I. Alfabetizacion mediatica e informacional: justificacion, conceptualizacion y contextos • Modulo II. De los medios tradicionales a los medios emergentes • Modulo III. Cultura participativa y prosumidores en la era de compartir • Modulo IV. Representacion en los medios e informacion: valores y emociones • Modulo V. Lenguajes en los nuevos medios e informacion • Modulo VI. Publicidad • Modulo VII. Oportunidades y retos de Internet • Modulo VIII. Informacion, desinformacion y sus implicaciones • Modulo IX. Seguridad digital, privacidad y ciudadania digital • Modulo X. Competencia mediatica y aprendizaje
As a part of the COMEDIG project, this qualitative study aimed to establish to what extent media education content is present in education projects developed by Portuguese schools under the National Strategy for Citizenship Education. Data were gathered from guiding documents provided online by 227 educational establishments that were part of the Project for Autonomy and Curriculum Flexibility in the 2017/2018 academic year. Once identified, media education content was classified into the categories of access and use, critical reading and analysis, and production and expression. Media education activities were referred in guiding documents of 85 establishments; however, only 55 of them considered their implementation under the National Strategy for Citizenship Education. The classification of media education contents, possible in 20 cases, showed the diversity of implementation strategies. These findings suggest that media education is a domain still under construction in Portuguese schools, requiring a more holistic approach.
The knowledge society requires media literacy education of citizens, who need to be critical and responsible as receivers and producers of information. School addresses media competence as a key tool that provides the knowledge, skills, and attitudes citizens need to be competent before the mass and digital media. This work presents the results of a study with 3,782 students, aged between 9 and 12 years from 7 countries, which aimed to diagnose their level of media competence, in order to design educational strategies that respond to the needs identified. The measuring instrument was an on-line questionnaire validated for primary education students. The level of media competence detected is medium-low in the 7 countries, especially in the processes of production and dissemination of content on the Internet, related to network security. More efforts are required, mainly in Brazil, Equator, and Peru to improve their children's and young people's media competence. The obtained results reveal the need to establish a plan to improve citizen's media competence from an early age.
This chapter review some of the principal personal and situational factors established through recent international research that contribute to explain the phenomenon of cyber-victimization and cyber-aggression among adolescents, as well as its relations with socio-demographic variables (age, sex, grade level). Personal factors, like emotions, motives, normative beliefs, and moral disengagement were discussed jointly with situational factors, as the role of peers, friends, school and family environments, in addition to the possible interactions of these variables on cyber-bullying. The chapter ends with a discussion of future directions about the research on this phenomenon, namely in what concern educational programs that can use digital technology to help adolescents, schools and families to deal with cyber-bullying.
La sociedad del conocimiento exige una alfabetizacion mediatica para la ciudadania, que ha de ser critica y responsable ante la recepcion y produccion de informacion. La escuela aborda la competencia mediatica como una herramienta clave que aporta los conocimientos, destrezas y actitudes necesarios para ser ciudadanos competentes ante los medios masivos y digitales. En este trabajo se ofrecen los resultados de un estudio con 3.782 estudiantes de entre 9 y 12 anos de 7 paises, con la intencion de diagnosticar su nivel de competencia mediatica y poder disenar estrategias educativas adecuadas a las carencias detectadas. El nivel detectado es medio-bajo en los 7 paises, especialmente en los procesos de produccion y difusion de contenidos en Internet, relacionados con la seguridad en la Red. Se requieren mayores esfuerzos en Brasil, Ecuador y Peru para mejorar la competencia mediatica de sus ninos y adolescentes. A partir de los resultados se pone de manifiesto la necesidad de establecer un plan de mejora de las competencias mediaticas de los ciudadanos desde las primeras edades.
This chapter describes the innovative solutions generated by the digital society in the field of health and reflects on the effectiveness of the mechanisms implemented in the last decade to increase the adoption of these solutions by the aged population. This reflection begins with the analysis of the digital divide-related issues, relying on the assumption that the lack of a joint multi-stakeholder effort to reduce existing differences in access to digital resources may result in deepening inequality in health. The opportunities and risks for ageing and health in the digital era are presented considering different healthcare purposes, contexts, and end-users' perspectives. Finally, the recommendations to maximize the impact of strategic actions to increase digital literacy and to reinforce digital engagement are presented.
O plágio pode ser visto como um problema de literacia. A escrita académica é uma tarefa complexa, envolvendo competências de literacia necessárias para consultar, citar, compreender e escrever a partir de fontes. O principal objetivo deste estudo foi construir e validar um questionário destinado a avaliar as percepções de estudantes universitários acerca das suas competências de literacia. O estudo incluiu 202 estudantes. Foram feitas análises fatoriais através de análises de componentes principais, tendo-se encontrado: três fatores para a escala estratégias de compreensão (seleção, organização, integração); três para a escala estratégias de escrita(planificação, revisão e “penso-logo-escrevo”); três para a escala estratégias de escrita a partir de fontes (cópia, mosaico/paráfrase, sumário); dois para a escala estratégias de consulta(elementares, elaboradas). A escala conhecimento das normas de citação revelou uma boa fidelidade. O questionário desenvolvido é essencial para futuramente se estudarem as relações entre o plágio e as competências de literacia.
A sociedade atual encontra-se perante um desenvolvimento tecnologico e digital que cresce a um ritmo muito acelerado e que provoca uma constante transformacao na forma como comunicamos. Por esta razao, a literacia mediatica constitui uma condicao fundamental para que todos, e em particular as criancas e os jovens, saibam utilizar e avaliar criticamente os media, desenvolvendo as competencias necessarias para participar de forma ativa, consciente e informada na sociedade (Matos, Festas & Seixas, 2016). A sua avaliacao e igualmente uma tarefa essencial para o diagnostico do nivel de competencias, nomeadamente das criancas e jovens, no sentido de se desenvolverem as respostas adequadas as necessidades. E neste âmbito que se situa o presente trabalho, que procura descrever um estudo preliminar sobre a avaliacao de competencias de literacia mediatica de criancas e jovens dos 4o, 6o e 9o anos de escolaridade, inserido no doutoramento em Ciencias da Educacao (Faculdade de Psicologia e Ciencias da Educacao da Universidade de Coimbra), financiado pela Fundacao para a Ciencia e a Tecnologia (FCT), no contexto do projeto de investigacao “Competencias de literacia mediatica: avaliacao, perfis e propostas formativas” (ainda a decorrer). Assim, pretendemos dar conta do processo de construcao dos instrumentos de avaliacao (questionarios), da metodologia e procedimentos utilizados e, por fim, da fase em que se encontra o estudo.
O autocyberbullying traduz uma forma de autoagressão premeditada e anónima, concretizada predominantemente nas redes sociais, nos jogos online e SMS. As vítimas autoagressivas procuram, sobretudo, aliviar estados de angústia, raiva e frustração, alertar para situações de vitimização por qualquer forma de bullying ou conquistarem atenção. A prevalência desta forma de autoagressão digital entre os adolescentes portugueses permanece desconhecida. Este estudo exploratório, transversal, descritivo e quantitativo teve como objetivo conhecer a prevalência do autocyberbullying, a sua relação com algumas variáveis sociodemográficas e com a reprovação escolar. Participaram 914 adolescentes do 3º ciclo, sendo 50,3% rapazes. Foi usado o Questionário Perceção dos Alunos sobre Autocyberbullying, aplicado online. Realizaram-se análises estatísticas, descritivas e inferenciais. Como principais resultados destacam-se a prevalência de 7,4%, sendo 68,7% rapazes e a correlação significativa entre a reprovação e autocyberbullying. Verificou-se que, no grupo de autocyberbullies, os alunos que já tinham reprovado apresentavam uma média de frequência do comportamento autocyberbullying, superior à dos que nunca tinham reprovado. Evidencia-se que o mal-estar que este comportamento proporciona requer a atenção dos profissionais da saúde, da educação e dos pais, a definição de políticas conjuntas de educação e saúde e uma intervenção que previna este comportamento nos adolescentes. Sugere-se que combater o insucesso pode constituir uma estratégia de intervenção secundária que vise prevenir o autocyberbullying. É importante retomar o tema em estudos futuros de caráter mais amplo.
Todo o comportamento autoagressivo evidencia mal-estar que nao deve ser negligenciado. Este artigo de revisao da literatura apresenta uma sistematizacao de alguns resultados da investigacao, nacional e internacional, sobre o cyberbullying e o autocyberbullying. As caracteristicas destes fenomenos e o seu impacto nas vitimas sao alvo de reflexao, bem como os fatores que tem vindo a ser identificados como facilitadores ou protetores. A problematica do autocyberbullying merece, neste trabalho, especial atencao, dado que a investigacao internacional sobre autocyberbullying alerta para a existencia e gravidade deste fenomeno e deixa antever um cenario que pode tornar-se preocupante na adolescencia. O artigo termina com uma reflexao sobre a importância de se conhecer a prevalencia, as motivacoes e o impacto do autocyberbullying entre os adolescentes portugueses. Uma melhor compreensao da situacao em Portugal possibilitara o desenvolvimento de estrategias eficazes de prevencao e de intervencao.
Programa Operacional Tematico Fatores de Competitividade (COMPETE)/ Fundo Comunitario FEDER: Ref.PTDC/CPE-CDE/108563/2008
In this paper, we explore the differences in the responses of adolescent boys and girls, as victims or perpetrators of cyberbullying, in a Portuguese study involving 1683 boys and 1837 girls from the 6 th , 8 th and 11 th years in 23 schools.More girls were cybervictims and more males were cyberaggressors.In both sexes, having already been a perpetrator was positively associated with having already been a victim.The breakdown of friendships and social rejection were the reasons most frequently cited by girls for experiencing and engaging in cyberbullying and they were more able than boys to disclose the motives and emotions involved in cyberacts.The implications are discussed, taking gender socialization and the characteristics of this stage of development into consideration.
The ongoing evolution of digital media and the possibilities of communication and access to information which they offer draw particular attention to the need to develop citizens' effective, responsible and critical behavior not only as consumers, but also as communicators and media message producers.This article presents an analysis of the challenges that digital media poses to the education of young people, highlights the importance of a wide reflection on the concept and aims of media literacy, and offers suggestions regarding possible lines of action.
This study examined the extent and nature of cyberbullying in 23 Portuguese schools. A sample of 3,525 sixth-, eighth-, and eleventh-grade students completed a self-response questionnaire assessing their perceptions and experiences of cyberbullying. The findings showed that 7.6% of students have been victimized, and 3.9% have bullied others at least once over the last year. The incidences of victimization were higher for females and for the older students. In contrast, more boys reported having bullied others in the eleventh grade. The most frequent medium of cyberbullying was via websites, whilst sending offensive messages was the most widely reported type of behavior. Telling someone about cyberbullying is among the most frequent coping strategies used by cybervictims, who usually chose to tell their friends rather than adults. Implications of these findings for students, schools, and parents are discussed.