
Este artigo analisa o desenvolvimento linguístico-educacional de crianças surdas a partir da produção discursiva videogravada em Língua Brasileira de Sinais (Libras), no contexto dos anos iniciais do Ensino Fundamental. O estudo tem como objetivo apresentar os resultados de uma ação pedagógica formativa dirigida a docentes bilíngues e discutir a construção e o uso coletivo de um instrumento pedagógico para leitura avaliativa da produção discursiva em Libras. A pesquisa adota abordagem qualitativa, fundamentada na investigação-ação cartográfica, em diálogo com a perspectiva arqueogenealógica de Michel Foucault e com as filosofias da diferença. Os dados foram produzidos por meio da análise coletiva de registros videogravados em Libras realizados por crianças surdas, articulada a encontros formativos com docentes de diferentes regiões do Brasil e a interlocuções com pesquisadores de Portugal e do Uruguai, tendo como referência materiais digitais do programa #CasaLibras . Os resultados evidenciam níveis progressivos de complexidade na produção discursiva em Libras, organizados segundo lógicas visuo-espaciais próprias da língua de sinais, não interpretáveis por parâmetros grafocêntricos. Conclui-se que o Instrumento Pedagógico de Avaliação da Produção Discursiva de Alunos Surdos (IPAS_Libras), estruturado em quatro níveis de desenvolvimento discursivo, constitui um dispositivo formativo e avaliativo capaz de subsidiar práticas pedagógicas coerentes com a educação bilíngue de surdos e com o direito linguístico das crianças surdas.
A Educação Especial Inclusiva na América Latina enfrenta desafios históricos, sociais e pedagógicos que refletem desigualdades estruturais herdadas do período colonial e do processo de construção dos Estados nacionais. Este estudo busca responder ao problema de pesquisa: como os aspectos históricos, legais e pedagógicos influenciam a formulação e implementação das políticas de Educação Especial Inclusiva na Argentina, no Brasil e no México, e em que medida contribuem para a inclusão educacional efetiva? O objetivo geral é comparar os marcos históricos, legais e pedagógicos da Educação Especial Inclusiva nos três países, identificando convergências, divergências e desafios para a consolidação de políticas inclusivas. A pesquisa adotou abordagem qualitativa e comparativa, baseada em análise documental e bibliográfica de legislações, diretrizes curriculares, relatórios institucionais e literatura científica recente. A análise considera convergências e divergências nos contextos históricos e legais, bem como nas práticas pedagógicas orientadas à inclusão. Os resultados indicam que a Argentina se destaca pela descentralização administrativa e articulação entre escolas comuns e serviços especializados; o Brasil possui normativas sólidas, mas enfrenta desafios de infraestrutura e formação docente; e o México apresenta integração da inclusão aos planos nacionais de desenvolvimento, embora ainda existam desigualdades regionais significativas. Conclui-se que a efetivação da educação especial inclusiva depende não apenas da legislação, mas da transformação de práticas pedagógicas, da cultura escolar e da equidade no acesso a recursos. Compreender essas experiências comparadas é essencial para fortalecer políticas educacionais inclusivas e promover educação de qualidade para todos.
Este estudo teve como objetivo identificar e analisar as etapas de implementação de um programa de ensino intersetorial como apoio à participação de alunos PAEE. A coleta de dados foi retrospectiva e ocorreu entre janeiro e julho de 2021, abrangendo as atividades de um aluno com transtorno do espectro autista no ensino fundamental I. Participaram quatro professores do ensino regular, quatro professores auxiliares, uma coordenadora do ensino regular, uma diretora pedagógica, uma coordenadora da Educação Especial e uma psicóloga. A equipe de saúde foi composta por profissionais das áreas de terapia ocupacional, psiquiatria, psicopedagogia, fonoaudiologia, psicologia e neurologia, além da família do aluno. Os instrumentos de coleta de dados foram: (1) quadro para coleta das informações da escola e do aluno selecionado; (2) folha de relatório para descrição das etapas iniciais do programa; (3) quadro de registro para identificar o acompanhamento do processo de participação do aluno; (4) questionário para validação social. A análise foi realizada em sete momentos e resultou na elaboração de um documento único para responder ao objetivo proposto. Os temas identificados foram: organização da equipe, caracterização do aluno, acessibilidade curricular, avaliação e orientação processual do aluno pela equipe intersetorial colaborativa. Os resultados revelaram que o processo educacional se desenvolve por meio da constituição de uma equipe engajada em reflexão, orientação e discussão, elaborando propostas em conjunto e respeitando as habilidades do aluno. Conclui-se que um programa de ensino intersetorial colaborativo favorece a participação do aluno com deficiência na rotina escolar.
Crianças com deficiência e necessidades complexas de comunicação podem necessitar de sistemas de Comunicação Aumentativa e Alternativa para conseguir aprender no contexto escolar e ser incluídas ativamente na sociedade. Assim, o objetivo desta pesquisa foi analisar o programa educacional TELL ME: AAC in the Preschool Classroom, que é destinado para pré-escola e tem o suporte da Comunicação Aumentativa e Alternativa. Ressalta-se que no Brasil, atualmente, não há nenhum programa de ensino ou material didático institucionalizado com o suporte da Comunicação Aumentativa e Alternativa. Foi realizada uma pesquisa documental, com a abordagem qualitativa, de cunho descritivo. Para analisar os dados do programa educacional, foi utilizada a Análise de Conteúdo, a partir das categorias: Concepções do Programa de Ensino, Estrutura do Material e Aspectos Didáticos-Metodológicos. Os resultados indicaram que o programa de ensino possui fundamentos para o desenvolvimento da linguagem e para proporcionar experiência de alfabetização de crianças que usa ou poderia se beneficiar da Comunicação Aumentativa e Alternativa, no entanto na pré-escola se faz necessário utilizar outros programas educacionais para promover o desenvolvimento pleno da criança em suas máximas possibilidades. Projetos futuros poderão viabilizar a produção de um programa de ensino ou material didático para ser utilizado no contexto brasileiro.
O texto objetiva analisar a constituição da nova filantropia empresarial, suas configurações na sociedade capitalista e como ela se estabeleceu no campo da educação especial. É um estudo de caráter bibliográfico, que buscou como fundamento o materialismo histórico e dialético, especificamente as contribuições de Gramsci, compreendendo que a categoria Estado Integral é essencial para o debate sobre a relação entre público e privado e a filantropia. Como procedimento metodológico, buscou-se investigar a produção acadêmica em quatro bancos de dados e a constituição do campo da educação especial. A busca se deu no Catálogo de Teses e Dissertações da Capes, na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), na Livraria Online da Scientific Eletronic no Brasil (Scielo) e na Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), a partir dos verbetes: filantropia, filantropia empresarial, nova filantropia e filantropização. O estudo constatou que a filantropia e a caridade vêm acompanhando o campo da educação especial no Brasil desde os seus primórdios até hoje, mesmo revestidas do discurso de política de educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Dessa forma, a filantropia é uma proposta política, econômica e ideológica de dissipar a luta de classe, de harmonização da sociedade e de manutenção do capital.
Considerando que na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, a preocupação com a educação especializada para deficientes encontrou suas raízes nas práticas assistenciais da filantropia desenvolvidas por patronesses, apresentamos uma análise das participações e contribuições no auxílio social prestado a Escola Professor Alfredo Dub no período entre 1950 e 1969. A partir de uma abordagem histórica e cultural, possibilitada pela análise de notícias divulgadas nos impressos locais à época, concluímos se tratar da existência de uma rede de sociabilidade que, com a ajuda de patrocínios, publicidades e eventos de caridade, sustentava o trabalho especializado realizado pela fundadora da instituição, Maria de Lourdes Magalhães, com a contribuição da benemerente Carmen Gastal Osório. Por conseguinte, consideramos nas categorias filantropia e mito fundador elementos-chave para a leitura e interpretação histórica das instituições especializadas, uma vez que a noção de mito fundador confere uma narrativa que ajuda a estabelecer uma ligação emocional entre a comunidade surda e a instituição, criando um senso de pertencimento e união.
Este artigo analisa a produção escrita do sujeito surdo a partir de uma perspectiva que integra linguagem, cognição, cultura e experiência. Considerando as barreiras comunicacionais e simbólicas enfrentadas pelos surdos, discute-se como essas condições moldam formas específicas de representação do mundo, frequentemente distintas da lógica sequencial e normativa da escrita alfabética. Fundamentado em autores como Vygotski, Barthes, Lyons e Langacker, o texto defende que a surdez deve ser compreendida como uma diferença linguístico-cultural. A escrita do surdo, por consequência, expressa uma lógica visual, multimodal e relacional, ancorada na língua de sinais e nas experiências comunitárias. A memória coletiva da comunidade surda, a identidade cultural e a resistência simbólica emergem como elementos centrais na constituição de sentidos e na organização do pensamento. A partir disso, o artigo propõe uma reconfiguração das práticas pedagógicas, que reconheça a singularidade do sujeito surdo e valorize suas formas legítimas de significar. A escrita surda, longe de representar um desvio, revela possibilidades epistemológicas próprias que desafiam os paradigmas da oralidade e da linearidade textual. A escola, portanto, deve acolher tais manifestações como legítimas e promotoras de uma educação inclusiva, centrada na escuta da diferença e na valorização das múltiplas formas de cognição e expressão.
O Ensino de Ciências, em que o estudante participa de forma ativa na resolução de problemas, promove o desenvolvimento de habilidades e o entendimento da ciência. Levando em consideração o estudante surdo, o Ensino de Ciências deve ocorrer a partir de uma abordagem que considere os aspectos linguísticos e culturais deste grupo. Tendo em vista as possibilidades e os desafios no que tange à temática “Ensino de Ciências para Surdos”, este estudo tem por objetivo mapear as publicações de cunho acadêmico em periódicos científicos no período de 2012 a 2022, a partir de uma pesquisa bibliográfica, tipo estado da arte. A coleta por trabalhos com a temática foi feita em seis periódicos nacionais relevantes para a área de Ensino de Ciências e, após utilizar critérios de exclusão e inclusão definidos, resultou em 30 artigos selecionados para análise. Os dados coletados foram categorizados com base nos pressupostos teóricos da análise de conteúdo de Bardin. A partir da análise das produções, reconhece-se que o Ensino de Ciências para Surdos é um tema de pesquisa relevante nos periódicos nacionais e de crescente interesse por pesquisadores da área. Entretanto, as pesquisas apontam problemáticas para reflexão, tais como: a necessidade de ampliação de pesquisas na área; lacunas na formação inicial e continuada de profissionais que atuam na educação inclusiva, desde o entendimento sobre abordagens que potencializam a aprendizagem dos Surdos até a não fluência em Libras; e ausência de estrutura adequada das instituições educacionais para promover inclusão e permanência do Surdo nesses ambientes.
O presente artigo é resultado de uma pesquisa bibliográfica, descritiva e de caráter documental, além de um questionário que foi encaminhado para a coordenadora do Programa de acessibilidade da instituição escolhida. Objetivamos apontar os aspectos legais da inclusão e identificar as ações afirmativas de acesso e permanência dos alunos da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva de uma Instituição Privada do Ensino Superior no Estado do Paraná. O momento atual suscitou o tema que traz à tona o debate sobre a inclusão de alunos público-alvo da Educação Especial nesse nível de ensino marcada por avanços e retrocessos. Para tanto, é urgente a implementação de ações afirmativas nas instituições para que esse público seja atendido e respeitado de acordo com as suas necessidades, a fim de oferecer o acesso e permanência a todos os estudantes. Verificamos, ainda, que novas pesquisas são necessárias para o aprofundamento do tema, para que estratégias e acessibilidades sejam utilizadas para auxiliar no processo de aprendizagem dos discentes.
As altas habilidades/superdotação se marcam pela presença de um potencial elevado em qualquer área do desenvolvimento humano, comparado com pares da mesma idade. Dentre outros aspectos, as características socioemocionais dessas crianças têm sido foco de interesse de pesquisadores, não havendo, até o momento, consenso sobre a questão. Ora tais características são consideradas fatores de proteção, ora fonte de vulnerabilidade. Assim, o presente estudo buscou avaliar características socioemocionais em 37 participantes, com idades entre 9 e 12 anos, de ambos os sexos, divididos em dois grupos: participantes identificados com AH/SD (n = 15) e sem identificação (n = 22). A amostra respondeu ao Inventário de Habilidades Sociais, Problemas de Comportamento, e Competências Acadêmicas para crianças (SSRS) e a Bateria Online de Inteligência Emocional (BOLIE). A comparação do desempenho dos grupos, por meio do teste Mann-Whitney indicou a existência de diferenças significativas entre os grupos (p ≤ 0,05), em todas as medidas e fatores avaliados, com exceção de um fator do SSRS e um fator da BOLIE, evidenciando um melhor desempenho das crianças superdotadas nos construtos avaliados. Tal resultado reforça a necessidade de atenção aos aspectos socioemocionais dessa população específica, dadas as diferenças encontradas em relação às crianças sem esse quadro.
Resultado de uma pesquisa de tese de doutorado em Educação, o recorte apresentado neste artigo problematiza as responsabilidades pedagógicas de educadoras surdas e ouvintes na escolarização de estudantes surdas(os) em escolas regulares de João Pessoa – PB. A pesquisa qualitativa ancorou-se no escopo teórico dos Estudos Surdos em articulação com o campo dos Estudos Culturais da Educação e foi desenvolvida com profissionais surdas e ouvintes. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas, utilizando um roteiro com perguntas abertas que focavam questões relacionadas ao trabalho pedagógico surdo na escola regular. As análises das entrevistas apontaram que as educadoras surdas assumiam as responsabilidades didático-pedagógicas na escolarização de estudantes surdas(os) em sala de aula, mesmo sendo estas oficialmente prerrogativas das professoras ouvintes regentes. Essas funções, portanto, eram delegadas às educadoras surdas pela ausência de ferramentas pedagógicas, didáticas, linguísticas e culturais para trabalhar com as(os) estudantes surdas(os), desnudando a fragilidade curricular da escola para lidar com as diferenças.
Este artigo visa analisar estudos acerca de políticas para as pessoas com deficiência na Educação Profissional e Tecnológica (EPT), tendo como fonte os anais de seis edições do Colóquio “A produção do conhecimento em Educação Profissional”, promovido pelo Programa de Pós-graduação em Educação Profissional do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, escolhido pela sua representatividade no campo da EPT no Brasil. Para atingir esse objetivo, recorreu-se à metodologia para uma produção do estado de conhecimento postulada por Morosini et al. (2021), baseada em bibliografia sobre a temática de políticas para pessoas com deficiência (Martins, 1999; Mantoan, 2003; Piovesan, 2013), especialmente na EPT, por meio de leis como a nº 13146/2015 e a nº 10.098/2000, além da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9394/1996). A pesquisa demonstra uma incipiência da temática dentro deste evento representativo da Educação Profissional e Tecnológica, quando comparadas a quantidade de trabalhos publicados relacionados ao tema deste artigo (4) com o total de trabalhos já publicados no evento (765).
O estudo investigou como a Estratégia de Ensino por Estudo de Caso (EEEC) pode contribuir para discussões sobre a formação inicial de professores e como licenciandos constroem propostas didáticas inclusivas no contexto do ensino de química. Para isso, foram elaborados e aplicados casos que traziam situações de ensino, que se aproximam da realidade, em que os licenciandos deveriam construir uma proposta didática inclusiva a um aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os licenciandos responderam ainda um questionário sobre a atividade. Os participantes apresentaram soluções com propostas efetivamente inclusivas e que associavam o hiperfoco do estudante com TEA. Além disso, eles reconhecem que a resolução dos casos auxiliaram a aproximar a teoria da prática, o desenvolvimento de competências e habilidades importantes instigadas pela EEEC e uma compreensão maior sobre inclusão. O estudo destaca que propostas como essa devem ocorrer ao longo da formação inicial de professores, trazendo mais debates que permeiam a Educação Especial sobretudo acerca do TEA.
Este trabalho tem como objetivo refletir sobre como alguns marcos históricos e legais apontam ou não para a dialogicidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA) na perspectiva da Educação Inclusiva. Nesse sentido, a compreensão dos dados fundamenta-se nos pressupostos da abordagem qualitativa, de caráter descritivo-reflexivo (Chizzotti, 2011) e na utilização técnico-metodológico da revisão bibliográfica (Severino, 2007; Gil, 2002). A base teórica-reflexiva conta com autores como Haddad e Di Pierro (2000), Jardilino e Araújo (2014), Freitas (2010) e Silva (2018). As reflexões e diálogos apontam que: durante um grande período as formulações de documentos legais estavam sob o viés de ações assistencialista; a partir dos anos 2000 a EJA passa a ser estruturada dentro de uma perspectiva democrática, emancipatória, inclusiva e reflexiva/crítica; na atualidade, especificamente, com a aprovação do Parecer n.º 06/2020 a modalidade tem sido ameaçada por muitos retrocessos pela implementação de suas diretrizes operacionais articuladas a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Por isso, a relevância de entendermos os processos que culminaram na atual estruturação da EJA, a partir dos documentos legais incorporados na modalidade.
A Lei Brasileira de Inclusão traz em seu texto a garantia de acesso à Tecnologia Assistiva (TA) e à Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) sendo ela essencial para que todos tenham acesso de acordo com suas necessidades. Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa desenvolvida em um mestrado, cujo objetivo foi investigar como TA e CAA estão sendo utilizadas para superar barreiras de aprendizagem de estudantes com comunicação não verbal no Ensino Médio do Rio Grande do Sul. A pesquisa com abordagem qualitativa tem seus dados construídos pela técnica de pesquisa Intervenção Pedagógica por meio de um curso de formação para professores (40 horas), que incluiu diagnóstico recebido no formulário de inscrição, planejamento do curso pelo Google Meet com o apoio da FADERS e da ABADEF, encontros formativos e avaliação do curso com apresentação de pranchas para CAA construídas pelos cursistas. A análise de conteúdo foi o método utilizado para organizar e interpretar os dados qualitativos. Os resultados revelaram a realidade enfrentada pelos professores, bem como a necessidade crescente do uso dessas estratégias para garantir a inclusão desses estudantes. O feedback dos professores indicou alta satisfação com a formação, sendo que a maioria afirmou estar realizando formação nessa área pela primeira vez e concordam com as possibilidades de melhorias na comunicação e na tomada de decisões pedagógicas. A pesquisa reforça a importância da formação docente em TA e CAA, da oferta de materiais pedagógicos acessíveis e da urgência na implementação dessas práticas para inclusão efetiva.
A família, especialmente os pais e irmãos, constitui o núcleo onde se formam as primeiras relações interpessoais, proporcionando apoio e segurança. Quando um irmão é diagnosticado com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), ocorrem alterações significadas nas dinâmicas familiares para um ajuste às necessidades específicas da criança com PEA. Essas mudanças, que afetam rotinas e o tempo de qualidade em família, podem influenciar o comportamento, as competências socioemocionais e as relações entre irmãos. Propõe-se analisar, através de uma revisão integrativa da literatura, a influência da PEA nas relações entre irmãos. Deste modo, foram identificados 18 estudos publicados entre 2015 e 2024, cujas abordagens metodológicas se centram em pesquisas qualitativas, quantitativas e mistas. As bases de dados utilizadas foram: Web of Science, Scopus e Scielo. A pesquisa foi conduzida com recurso a palavras-chave em português europeu e do brasil e inglês, nomeadamente, português: PEA OU autismo E irmãos E relações; irmãos E PEA; inglês: ASD OR autism spectrum disorder AND siblings; siblings AND ASD. O estudo conclui que, embora as relações entre irmãos com e sem PEA sejam desafiadoras, elas também promovem o desenvolvimento de competências sociais e emocionais. Ressalta-se a importância do suporte familiar e comunitário para minimizar os impactos negativos e fortalecer os vínculos familiares.
Intervenções cognitivas para crianças e adolescentes, amplamente aplicadas no contexto clínico e escolar para prevenir dificuldades ou remediar déficits em funções executivas, autorregulação emocional e habilidades socioemocionais, têm sido exploradas de forma mais aprofundada quanto ao papel dos pais e cuidadores na estimulação dessas habilidades, sobretudo quando estes estão envolvidos nas intervenções. Este estudo objetivou mapear os principais achados da literatura sobre o envolvimento parental em intervenções neuropsicológicas na infância e adolescência, por meio de uma revisão de escopo, utilizando o protocolo PRISMA-ScR. A estratégia de busca foi elaborada com o suporte de um bibliotecário especializado, seguindo o acrônimo PICOS, com ênfase em estudos experimentais e quase-experimentais. A busca foi realizada em seis bases de dados indexadas, sem restrições de ano ou idioma. Foram encontrados 153 artigos, dos quais, após a exclusão de duplicatas, leitura de títulos, resumos e artigos completos, sete foram selecionados para análise final. Dos estudos incluídos, apenas um foi direcionado ao público adolescente, enquanto os demais focaram em intervenções com crianças, dividindo-se entre desenvolvimento típico e atípico. Os resultados evidenciaram divergências significativas nos objetivos dos estudos, no formato das intervenções, no público-alvo e, principalmente, nos diferentes modos de envolvimento de pais e cuidadores na estimulação cognitiva. Essas inconsistências sinalizam uma complexidade e dificuldade na definição de parâmetros robustos para pesquisa e intervenção, evidenciando lacunas importantes na compreensão do papel do envolvimento parental em intervenções neuropsicológicas e na sua integração efetiva ao tratamento de crianças e adolescentes.
Este artigo refere-se a uma revisão de literatura que teve como objetivo investigar produções sobre a temática da formação inicial de professores numa perspectiva da educação inclusiva. Para isso, tendo como balizadores os estudos pós-críticos, foram realizadas buscas em repositórios digitais a partir dos seguintes descritores, em diferentes arranjos: “educação”, “artesania”, “inclusão”, “formação de professores” e “Michel Foucault”. Foram considerados trabalhos a partir de 2008, ano da publicação da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Contudo, após análise dos trabalhos, conforme critérios de inclusão, foram selecionados estudos de 2013 a 2022, em um total de dez produções. Com a análise dos trabalhos, foi possível identificar que o fio condutor entre eles é a formação inicial de professores. O exercício analítico permitiu ainda observar dois eixos entre as investigações: a legitimidade do discurso da inclusão como imperativo; e os processos formativos que constituem modos de ser professor. Conclui-se que, embora se observe a inclusão operando como imperativo, com os riscos de engessamento que isso traz, tem sido possível forjar diferentes modos de se constituir professor, numa perspectiva inclusiva, a partir de diferentes experiências na formação inicial.
A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI) surgiu para promover a inclusão de alunos com deficiência nas escolas regulares. Nesse cenário, as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs), que tiveram um papel fundamental na história da Educação Especial no Brasil, foram provocadas a rever seu papel frente ao cenário atual. Isso acarretou o fechamento ou reestruturação das escolas especiais existentes e fomentou debates acirrados sobre o papel das APAEs no atendimento aos alunos com deficiência. O objetivo deste artigo, portanto, é discutir a organização da Educação Especial Inclusiva em Minas Gerais e Paraná a partir da apropriação da PNEEPEI pelas APAEs em ambos estados, apontando a organização de suas escolas e evidenciando as semelhanças e diferenças encontradas. Os resultados indicam que a forma como cada estado se apropriou da PNEEPEI impactou diretamente na organização das escolas das APAEs e posicionou-as de maneira distinta frente à PNEEPEI. Conclui-se que as APAEs em Minas Gerais se reestruturaram a partir da implementação da PNEEPEI, ao passo que, no Paraná, as APAEs permaneceram distantes dos avanços propostos pela PNEEPEI.
Diversos estudos têm sido desenvolvidos com o objetivo de compreender o fenômeno das altas habilidades/superdotação, apesar de uma ênfase na superdotação associada à inteligência elevada se faça presente historicamente. Nesse contexto, o estudo buscou identificar e analisar produções científicas nacionais e internacionais sobre um tipo específico de altas habilidades/superdotação, ainda pouco explorado: a artística. As bases de dados eletrônicas Periódicos CAPES e PsycInfo foram consultadas, de modo a incluir estudos publicados até o ano de 2023. Após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 44 estudos foram selecionados. Os resultados indicaram que o tema é investigado por pesquisadores de diversas nacionalidades desde o início do século XX, sendo a amostra mais investigada composta por crianças e adolescentes. Além disso, a área artística com maior número de pesquisas foi Artes Visuais, notando-se ainda predominância de estudos que fizeram uso de entrevistas, questionários e testes psicológicos. Os achados indicaram tendências e lacunas na área, de modo que seus resultados podem ser usados para ampliar os conhecimentos na área.